Cacilda
 

E tudo começou na EAD

Passei a semana envolvida com mais uma criação de

iluminação. É maravilhoso criar a luz de um espetáculo. Desde

que comecei a trabalhar no teatro, em 1983, na EAD, um mosaico

de sombras e luz se instalou dentro de mim. Vivo plugando cenas e

situações cênicas que me realizam diariamente.

Na fotografia encontrei o suporte inicial, em "Laços", dirigido por Odavlas Petti.

Dia desses deu-se mais um encontro com o grupo que reestréia hoje,

no Next, "Se eu fosse eu...", baseado em Clarice Lispector. O espetáculo.

O elenco, oriundo da EAD, da esquerda para a direita.

Luciana Paez, Otavio Dantas, Flavia Melman e Daniela Duarte,

agora com novas referências, carregam as características da Escola

por mim identificadas de imediato. O entusiasmo é uma delas.

A disposição e a entrega para o ensaio fotográfico chamaram a atenção

do diretor, que nos brindou com sua presença. O Janô, como é conhecido

o Antônio Januzelli, celebrado diretor, que coordenou o grupo no

Laboratório Dramático do Ator na USP.

Vibrei ao conhecê-lo pessoalmente, nosso rápido encontro me fez

acreditar que por aí vem mais uma nova parceria.

Como é complexa a prática teatral. Que bom.

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h43

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Esta noite

Eu a conheci quando ainda nem era atriz, mas estudante de psicologia. Tenho uma foto que tirei, ela e Cássio Scapin abraçados e de sorriso aberto, muito jovens, no estágio de uma semana que era a última prova para a EAD, Escola de Arte Dramática. De 40, entravam 20. Eles dois, de talento exuberante, viraram atores, eu fui ser crítico.

 

Pouco tempo depois e Marisa Orth estreava com “Fica Comigo esta Noite”, de Flavio de Souza, e o teatro conheceu a estrela potencial. Eu estava lá, na platéia. Mas não demorou e ela se dividia entre a música e, principalmente, a televisão. O teatro ficou para trás, Magda tomou prioridade _e a telinha sumiu com ela do palco.

 

Aconteceu assim com Denise Fraga, Fernanda Torres, com Bete Coelho. Nos meus primeiros tempos de espectador, informado por Zé Celso do mito da primeira atriz para o teatro, eram elas as minhas projeções de Cacilda Becker, aliás, prima distante de Marisa Orth, e de Tonia Carrero, de Maria Della Costa.

 

A televisão não deixou. Agora, duas décadas depois, Marisa Orth retorna hoje à noite, no Teatro Folha, no mesmo papel da viúva de “Fica Comigo”. Tem uma cena em vídeo no UOL (assinantes), tem uma reportagem no site do “Estado”. Flavio de Souza diz que viu “muitas montagens da peça, no Brasil e no exterior”, mas “poucas atrizes têm a capacidade de Marisa de transitar entre o humor e a dor”.

 

Ela está de volta, mas eu vou à pré-estréia de “Miss Saigon” no Teatro Abril.

Escrito por Nelson de Sá às 09h51

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Peter Brook e o "blablablá hippie"

Algum tempo atrás, estive no Bouffes du Nord, o célebre teatro de Peter Brook na periferia de Paris. O mesmo tapete, os mesmos figurinos esmaecidos, os mesmos atores. Do lado de fora, nas ruas do bairro que remete a Argel e à Casbah, as coisas pareciam mais vivas do que no teatro lindamente arruinado _assim como o Pari ou o Bom Retiro, com suas ruas de gente exótica, são bem mais vivos do que a Luz restaurada ou o Mercado Municipal.

 

A sensação não foi só minha ou do Ricardo. O dramaturgo inglês David Hare, ultrapolitizado, tachou o teatro recente de Brook de "um blablablá hippie universal que não representa nada além do medo de se comprometer". Mas o ataque é exagerado. O diretor, que associamos ao “Mahabharata” de 20 anos atrás e ao “Marat/Sade” de 40, que viraram filmes, segue na cena viva, pensante. Flertou até com a então nova dramaturgia inglesa. Mas, aos 82, não se permite mais tirar os olhos da África, de sua miséria a acusar o Ocidente.

 

E foi na África que ele buscou a resposta a David Hare, segundo o “Independent”. Semanas atrás, lá estava Peter Brook de volta a Londres, com “Sizwe Banzi Is Dead”, peça sul-africana que iniciou em 1972 o teatro de protesto contra o apartheid. Deu entrevistas para o “Guardian” e o “Independent”, nos intervalos de longos ensaios que, diz, quer morrer fazendo.

 

Uma passagem é especial, sobre seu primeiro contato com o teatro sul-africano, em 73 no Royal Court, como espectador de outra peça dos mesmos autores de “Sizwe Banzi”, o dramaturgo Athol Fugard e os atores John Kani e Winston Ntshona, “The Island”, ambientada na célebre prisão de Nelson Mandela, a ilha de Robben: 

_ Nada havia nos preparado para aquilo. Começou com 14 minutos de silêncio, nos quais aqueles dois homens quebravam pedras no palco, fazendo a platéia viver uma experiência que acontecia naquele momento na África do Sul. Você sentia o Sol, os músculos doendo. John fez a coisa mais extraordinária. Quando entrou uma sujeira imaginária nos olhos de Winston, ele tirou o pau, mijou na mão e limpou os olhos do amigo. Foi um instante de ternura e também de tanta verdade. Não havia água, como eles poderiam fazer? Foi uma das maiores coisas que vi no teatro, em termos de ligação entre a imaginação e a absoluta verdade.

“Sizwe Banzi”, contemporânea de “The Island”, toma outra direção, de maior ressonância nos dias de hoje, no Ocidente: seus personagens não podem se locomover sem passaporte, são estrangeiros na própria terra. Como hoje são estrangeiros, esclarece o diretor, os africanos que migram e morrem em contêineres de navios para a Europa ou para o Brasil _ou andam por aqui mesmo, no rap sempre revelador dos Racionais, “quem é preto como eu já tá ligado qual é: nota fiscal, RG, polícia no pé”.

 

Sobre seu próprio passaporte, ele que mora fora da Grã-Bretanha há quase quatro décadas, Peter Brook diz que segue britânico até o fim, não tem jeito. 

_ Eu viajo e viajo e me sinto em casa em todo lugar. Mas quando alguém fala “poste de luz”, eu não consigo pensar num poste de luz em Berlim Oriental. Quer dizer, um poste é um poste na rua Fairfax, W4. Trocar de nacionalidade é só um carimbo no seu passaporte, mas mesmo assim é impensável.

Escrito por Nelson de Sá às 09h48

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Pré-estréia em Niterói

No final de semana retrasado, vivi com Gerald

Thomas a satisfação de iluminar a ópera Luartrovado,

inspiração de Pierrot Lunaire, que levamos para o palco

do Sesc Pinheiros. A platéia lotada, o encontro com

Elke Maravilha e a funkeira Deyse Tigrona, a musicalidade

de Lívio e Lucila Tratemberg, o Tom Zé falando maravilhas

no final me fizeram pensar que aquele seria o melhor final

de semana de teatro do mês. Engano meu.

Constato diariamente que viver de teatro é satisfatório,

mas arriscado. A via Dutra, escolhida para driblar o caos

aéreo, as dificuldades de produção e as preliminares de um

ensaio geral,  nada é vencido pelo cansaço.

Encontrei os animados  Débora Bloch, Otavio Muller e

Bia Lessa envolvidos na montagem de “Brincando em cima

daquilo”. Texto de Dario Fo, que em priscas eras movia

Marília Pêra de um canto para outro do Teatro do Hotel

Copacabana Palace.

O que sobrou na lembrança daquilo que fora encenado

não está aqui no momento. A modernidade chegou. Pelas mãos

do produtor Eduardo Barata.

E a camaleônica Débora se transforma numa revisitada

Carmem Miranda, um tanto Cacilda.

 

Débora e seu espírito

determinado assombram o palco do Teatro da UFF, aqui em

Niterói. Onde neste final de semana acontece a pré-estréia.

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h42

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Pré-estréia em Niterói parte 2

A montagem, carregada de signos teatrais

 

e políticos, desperta a curiosidade de conhecer

melhor as mulheres, de dar a elas maior atenção, e

a alma feminina de Otávio Muller, o diretor do

espetáculo, não se faz de rogada e junto com Bia Lessa

e o iluminador  Samuel Betts desconstrói cenas,

para que Débora Bloch  construa tudo sozinha, do nada,

do palco aparentemente vazio, ela faz seu show.

Traz o funk à cena teatral, o samba de raiz e engrossa

o coro nas canções do Rei Roberto Carlos, que, convidado,

se sentirá tão à vontade que certamente evoluirá mais

uma etapa em sua recuperação, deixando que  a cor marrom

imprima em suas retinas, nas curvas salientadas pelo figurino,

o corpo da atriz.

Memorável o ensaio apresentado ontem para a sessão fotográfica.

Aqui está o resultado.

Nada fica evidente, fora a precisão das falas de Débora.

Sua personagem angustiada,

engraçada e sexy. Pautada na medida que o rigor técnico

impõe.

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h38

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5 x Celso Frateschi

É inevitável. Parece que toda peça que Celso Frateschi escreve, dirige ou representa _e são quatro ou cinco em cartaz em São Paulo_ trata de Lula e dos conflitos que sua presença no poder apresenta às esquerdas. O ator, um dos maiores de sua geração, é irmão do presidente do partido em São Paulo, foi secretário de Cultura de Celso Daniel e Marta Suplicy, agora preside a Funarte de Gilberto Gil.

 

Para o teatro, é um dos responsáveis por tornar o fomento uma instituição, um reflexo concreto do teatro de grupo _da “revolução”, como descreve Rodolfo Garcia Vasques, dizendo da mudança no modo de produção em São Paulo.

 

Da safra que anda em cartaz, não vi o “Shakespeare” que ele fez com a Banda Sinfônica, semana passada no Cultura Artística. Lamento até agora, seria uma forma de vislumbrar seu Hamlet dos anos 80, encenado então por Márcio Aurélio, e outras personagens do poder, de Ricardo 3º a Henrique 5º e Marco Antônio.

 

Mas assisti como ele foi grande ao arriscar o “Sonho de um Homem Ridículo” de Dostoievski, que estreou em meio à crise política, dirigido por Roberto Lage e programado por Ricardo Fernandes para abrir o Capobiano, com o questionamento não apenas do sonho tisnado, mas de si mesmo, principalmente.

 

E vi agora o “Horácio” de Heiner Müller, que não tem outro foco: como o herói e o monstro convivem no mesmo ser. A exemplo de Müller, o ator/político Celso Frateschi é cruelmente realista com seus anjos caídos. No trecho mais cortante, diz como o Horácio que fez a glória de Roma, ao vencer um Curiácio, e depois matou a própria irmã, "sem necessidade", tem que ser lembrado pelas duas ações na mesma frase.

 

No mesmo fôlego. Pode-se até aceitar como mal menor que alguém fale somente do herói e outro somente do monstro. Mas, para lembrar as duas faces, que seja em seqüência imediata. Se louvar a glória e só mais adiante abominar o crime, o autor deve ter sua língua cortada, pois é um falso, um mistificador _conclusão minha.

 

Por mais que se mostre em ambos os monólogos, em suas parábolas de pesadelo, é na direção de “A Grande Imprecação Diante dos Muros da Cidade”, de Tankred Dorst, e na dramaturgia de “Estação Paraíso” que se encontra aquilo que para mim, seu espectador de duas décadas, parece mover o ator/político.

 

A luta persistente, de Davi contra Golias, da mulher que exige do imperador a volta para casa do marido tornado soldado, já seria bastante para apontar e confrontar a injustiça, com o arrebatamento de Renata Zhanetta em sua imprecação diante da muralha.

 

Mas é “Estação Paraíso”, de todas a mais imperfeita, que toca mais. Nela, vai o programa, “dois homens se encontram numa estação deserta do metrô de uma cidade convulsionada”, a São Paulo de hoje. Um homem negro e um homem branco, que estabelecem “o jogo entre os dois: preconceito, conhecimento, vida e morte”.

 

É imperfeita porque Celso Frateschi não concede ao oprimido a complexidade que permitiu ao opressor, o que o revela _ao autor_ ainda mais, expõe mais dele. Lenise já publicou fotos dos atores Dácio de Oliveira e Osvaldo Raimo. O primeiro se mostraria ainda maior, um mito, se fosse dado a ele ser não apenas a vítima, mas também o criminoso. No mesmo fôlego.

Escrito por Nelson de Sá às 18h36

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Nada mudou

 

 

 

O Perfeito Cozinheiro das Almas desse Mundo.

Final da temporada paulista.

A cenografia caprichada, em dia de gravação para o DVD,

fica em evidência, realçada pelo reforço da iluminação.

O diretor Jefferson Miranda conduz o ensaio.

Inspirado em Oswald de Andrade, que se inspirava em

Menotti del Picchia. O mundo e a literatura de

Monteiro Lobato.

Os atores Luiza Marini e Diogo Salles

Mateus Solano

Thiare Maia

O passado e o futuro. 1918 e 2100.

E a avenida Paulista lotada.

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h55

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Álbum de Família

Dirigido pelo Alexandre Reineke.

ÁLBUM DE FAMÍLIA 
 
Reestréia sexta-feira, dia 22, no Espaço Parlapatões.
 
 
 
Cacá Amaral (foto acima)
 
 
 
Ângela Barros vai chacoalhar a praça, com sua
 
solteirona.
 
Nelson Rodrigues gostava de mulher?

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h22

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Montagem de 2003

Vejo os textos do Nelson, cheios de simbologias e significados, ele

o primeiro a me confiar a iluminação de um espetáculo. Sinto

muito orgulho de ser sua parceira.

4.48, montagem dirigida por ele, e destinada à Denise Assunção,

que num momento de crise deixou os ensaios. Os trinados dela

(hoje ela é o Anjo Negro do diretor alemão Frank Castorf e está

na Alemanha), sua entonação de voz ainda ecoam nos meus ouvidos.

"O que vc dá aos seus amigos, que faz com que eles te apoiem

tanto, o que vc dá"!!??? O texto de Sarah Kane começava assim.

Luis Paëtow deu tudo de si, com muita garra ele e a Luciana Vendramini

defenderam e cobraram os pênaltis, que insistiam em resvalar as

traves dessa montagem, no fundo do poço. Outros participaram.

Presenças fundamentais, naquele momento.

Hoje ao ver as imagens da peça me emociono.

Gostaria de montar assim que possível, com o Nelson,

"Triunfo", nós dois juntos de novo. Num musical.

Por enquanto seguimos por aqui, nesse blog,

nos Festivais de Teatro.

Cheios de carinho e teatro.

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h29

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Os demônios

A anistia e a promoção de Carlos Lamarca a coronel ou general me pegaram, por acaso, no fim de “Não és tu, Brasil”, de Marcelo Rubens Paiva, e no meio de “Pessach: a travessia”, de Carlos Heitor Cony. Queria ter postado antes, mas o assunto é espinhoso.

 

Agora já acabei o Paiva e estou nas últimas páginas da obra-prima de Cony. São novas edições de dois livros sobre o terrorismo ou a guerrilha urbana _dependendo de que lado está, você escolhe a palavra. O primeiro é nostálgico, a viagem de um personagem em torno de um tema que o obceca desde a juventude. O segundo também, mas é mais entranhado, de alguém que vive, não aquelas ações, mas aquele tempo e aquela gente.

 

São, ambos os protagonistas, máscaras de seus autores. Também eu, que abomino _e temo_ a violência, acabei desenvolvendo uma obsessão por aquele tempo. O mito do conflito armado está por todo lado, até hoje, como tabu.

 

Luta armada e porão parecem sobreviver como pólos de um conflito latente, como nó dramático ainda sem resolução, por mais que comandados de Carlos Marighella estejam hoje em altos postos da democracia, de ambos os lados, e longe das armas.

 

Jamais compreendi por que o teatro, em contraste com o cinema, não se volta para o tabu da luta armada e do porão. Deve ter existido, mas eu não conheci peça do gênero. Como não suporto os filmes, soando falsos e enviesados todos os que vi, todos mal escondendo a má consciência, restam os livros para desatar o nó.

 

Pouco antes de Paiva e Cony, li “Autópsia do Medo”, de Percival de Souza, a complexa biografia de Sérgio Paranhos Fleury, e “A Verdade Sufocada”, de Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi.

 

Antes deles e de outros, li “Cale-se”, de Caio Túlio Costa, sobre o abandono da luta armada pela esquerda derrotada, mas também e sobretudo “Abusado”, de Caco Barcellos, sobre o Marcinho VP traficante que se queria descendente da guerrilha e escrevia peças de teatro. Cheguei a falar com sua irmã, mas ela não me abriu os textos.

 

Não sei bem quando começou ou se acentuou a minha recente obsessão, talvez ao trabalhar com Zé Celso e descobrir por que ele havia sido torturado no Dops. Talvez ao montar “4.48”, quando Sarah Kane e “Os Demônios” me evidenciaram a ligação direta entre a destruição de si mesmo e a destruição de tudo e de todos.

 

“Os Demônios”, de Fiódor Dostoiévski, está aí um livro que nada deve ao “Hamlet” de William Shakespeare. Falta, se não um romance, uma peça assim por aqui, para desatar o nó.

Escrito por Nelson de Sá às 23h45

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Domingo no Tusp

Hoje às 18h, apresentação de Abajur Lilás.

Com o Grupo Tusp. Dirigido pelo Marco Antonio Braz.

A atmosfera degradada do ambiente de Plínio Marcos.

Os personagens bem contruídos.

Identifico os atores na seqüência. 

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h00

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Estréias deste final de semana

Gaivota, Tema para um conto.

Direção de Enrique Diaz.

Bel Garcia e Mariana Lima.

Gilberto Gawronski,

Pepinos, cenouras e Tchecov.

Na projeção, o personagem Babilônia, uma deferência ao

Teatro da Vertigem.

Matamoros, a fantasia.

Dirigido e encenado por Beatriz Azevedo.

Com o Luiz Paëtow, a Maria Alice Vergueiro.

Meu carinho especial ao Luiz, que desde 4.48

(montagem que o Nelson de Sá dirigiu no porão do

Sesc Belenzinho) tatuou Sarah Kane na minha memória.

Aqui, fotos da Sabrina Greve, que se transforma no texto

de Hilda Hilst.

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h24

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A volta da "rainha mentira"

"É minha/ é minha/ a porra da boceta é minha." Os versos de Deise Tigrona não saem da minha cabeça desde que vi a direção de Gerald Thomas e a produção de Ricardo Fernandes (e a iluminação de Lenise) para a ópera de Schoenberg, no Sesc Pinheiros. Não posso dizer que apreciei "Luartrovado", sou espectador eventual, quando muito gosto de opereta.

Mas o choque de Deise Tigrona ficou e estava ecoando quando sentei ontem com Gerald para um café que avançou por duas horas de muita conversa à toa e alguma nostalgia. Foi pouco antes de ele embarcar para algum lugar, o que repetiu velhos encontros, até em aeroportos.

Brinquei, como diz Hamlet aos atores, se não era melhor ter seu próprio teatro, como os Satyros, Zé ou seu ídolo Richard Foreman. Na conversa, que saltava de uma coisa para outra, nem me lembro o que ele falou.

Dizia estar em algum ponto diverso de sua trajetória, aos 52, e relatava, com ironia mas também orgulho, que Bárbara Heliodora elogiou um texto seu, o "Rainha Mentira" que estreou no Rio e vem para São Paulo. Mas não, nada de novo quanto à edição de suas peças, velho projeto que, se bem me lembro, começou com Márion Strecker e Mario Cesar Carvalho.

Gerald voltou a falar com carinho, como sempre fazia, de Antunes Filho, de Zé, de Antonio Araújo, que são, como ele, referências da encenação contemporânea. E referências, comentei eu, da crônica insegurança material, eles que põem o dinheiro que conseguem no palco e, após décadas de história, levam vidas monásticas, até precárias.

Falamos de muito mais, do teatro de Nova York e Londres, da imprensa, do que representam os blogs de teatro, como o dele, um dos pioneiros, e os novos, de jovens que começam a acompanhar teatro. Contei a ele dos bacantes Maurício e Fabrício, o que podem representar _e como Richard Foreman já acordou para a cena.

Sobre "LuarTrovado", sua versão para o "Pierrot Lunaire" de 1912, falamos mesmo foi de Deize Tigrona, do choque que, conta ele, foi ainda maior no segundo dia, quando o público, não mais de convidados, levantou às carreiras. Também de Tom Zé, que tentou dar sentido ao que aconteceu no palco, aquele conflito de Schoenberg com funk carioca e Elke Maravilha.

Duas vezes Fabiana Gugli apareceu, sorridente e apressada, para tratar de problemas de passaporte, passagem. Eles viajaram horas depois, ele sempre correndo, fugindo daqui.

Escrito por Nelson de Sá às 10h27

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Publicações Teatrais

Raramente livros são alvo do desejo dos arrombadores de carros.

Não foram poucas as vezes em que os amigos do alheio se apossaram de meus pertences deixados no banco de trás do carro ou no porta-malas. Mesmo em ensaios de teatro, onde estranhos ao trabalho se infiltram e, em busca de reforço para o orçamento, levam objetos e carteiras, menos os livros. Eles sempre ficam.

Registros indispensáveis, eles nos alimentam e ficam gravados em nossa memória.

E como é fascinante o mundo editorial.

Nas bibliotecas, construídas pelos palcos afora, lá estão eles, cenografados.

A dificuldade para publicá-los é inversamente proporcional ao prazer que eles nos trazem depois de editados.

Soube que o Ulysses de James Joyce foi recusado por muito tempo pelos editores. Precisa dizer mais alguma coisa?

Já Franz Kafka em seu leito de morte pediu para seu melhor amigo, Max Brod, que destruísse toda a sua obra. Ele teve coragem para não acatar essa decisão. E publicou, deu no que deu.

A publicação de livros de teatro está cada vez mais dinâmica, graças à iniciativa das próprias companhias, que captam recursos para a elaboração de seus projetos.

O Grupo XIX de teatro, dirigido por Luiz Fernando Marques, lançou o “Hysteria + Hygiene”.

Ensaios sobre os 18 anos da Companhia dos Atores, dirigida pelo Enrique Diaz, saem agora em SP, “Na Cia. dos Atores”.

E “Aqui Ninguém é Inocente”, organizado pelo Maurício Paroni de Castro e pela Ziza Brizola, foi lançado pelo Atelier de Manufactura Suspeita e Companhia Linhas Aéreas no Espaço dos Satyros 2.

Eu mesma estou na batalha para publicar meu livro Fotografia de Palco. Para tanto, preciso da autorização de todos os que foram fotografados por mim. A advogada Andréa Francez gentilmente preparou uma autorização. Muitos atores já assinaram, mas vou precisar da adesão de todos.

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h11

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Em pé

De volta à praça Roosevelt, mas para ver um stand-up, “Comediantes em Pé”, como traduziram. Para fechar os três meses de apresentações às quartas, tarde da noite, surgiram no palco Rafinha Bastos, o mestre de cerimônias, e Fábio Rabin, Murilo Flores e Danilo Gentili.

 

Não sei de onde eles apareceram, o que faziam antes, por que fazem, mas estava lá, diante de mim, um stand-up de verdade. Talvez tenha sido o estímulo do Terça Insana, que já vai para seis, sete anos. Mas eles mesmos, os quatro, com momentos geniais, são coisa inteiramente nova.

 

Nem sei quando quando vi stand-up pela primeira vez. Foi em meados dos 70 ou 80, na Califórnia ou em Nova York, aprendi que tem parentesco com as palestras de Mark Twain, mas sempre me soou muito próximo do Brasil. Aquela pessoa falando, falando, contando supostas verdades e acabando consigo mesmo e depois com o resto _a família, a platéia, o país.

 

Curiosamente, talvez porque política seja piada pronta e gasta, eles pouco ou nada trataram de política. O problema de todos, se bem marquei, não é o presidente ou o governador, mas a mãe. E tem também Rondônia, o Estado com as pessoas mais feias que um deles já viu. Tem a solidão. E tem palavrão sem parar, a ponto de nem se perceber mais, lá pelo meio.

 

Eles paravam, davam pausas imensas, esqueciam textos, testavam e viam piadas se perderem _e nada parecia tirar dos quatro o domínio da platéia, o controle da cena.

 

Rafinha, que entrava e saía como nos velhos números de cortina, nem se preocupava em dar linearidade, parecia falar o que lhe vinha à telha. Fabio foi brilhante, a longa pausa mais engraçada que já vi. Murilo em personagem, a conversar com leveza e sedução como num cabeleireiro.

 

E Danilo com algo raspando a genialidade, ele e Fábio, mas ele sobretudo, preparando a piada e sempre fazendo aquela que você não espera, sempre inteligente, jamais óbvio.

 

No final, Rafinha avisou que ele e Danilo estão no Clube da Comédia Stand-up, Murilo está no Nunca se Sábado, que meu amigo de velhos tempos Laert Sarrumor ajuda a escrever, e Fábio no Comédia ao Vivo. E que tem mais na praça Roosevelt, sexta que vem. É a cena, finalmente, em pé _como vai o nome recriado, acho, pelos parlapatões.

Escrito por Nelson de Sá às 09h52

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Iluminação, vida e névoa

Nada melhor do que a combinação Ética + Elke.

Cílios artificiais para um olhar iluminado, por mim.

Gerald trabalhou em grupo, deixou que a luz fosse proposta.

Para um trabalho apaixonado. Espacial.

Idealizado por ele e por Ricardo Fernandes,

que temperaram a produção.

Especialmente preparada para este final de semana.

Estamos na Lua ou na Suíça?

A criação do mundo e nosso trabalho realizado em 7 dias.

A magia da ópera. Música no compasso e no ritmo de

Arnold Schönberg e Lívio Tratemberg.

A neofeminista Deyse Tigrona e seu refrão.

Tom Zé foi a prova dos nove.

Viva!

Escrito por Lenise Pinheiro às 08h01

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Trindade, hoje no Aliança Francesa

Gostaria de agradecer aos atores Guilherme Leme, Luciano

Chirolli e Pedro Neschiling, pela disposição para esse ensaio

fotográfico.

Meus agradecimentos se estendem aos rapazes do palco

do Teatro da Aliança Francesa, pela força.

A força motriz do teatro é a ação em grupo. Isso parece

fundamental. Desejo tudo de bom para a temporada.

MERDA

Escrito por Lenise Pinheiro às 07h47

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Teatro Negro e as "madames"

Mais um registro sobre a CIE. Fui ver o Teatro Negro de Praga, o que não consegui quando estive por lá, semanas depois da Revolução de Veludo de Vaclav Havel. É lúdica, é envolvente. E é teatro da Boêmia: o que estava fazendo no Citibank Hall, a R$ 180 a entrada?

 

O público era de “madames da Daslu”, me comentaram. Não é bem assim, vi gente de teatro aqui e ali, também pequenos grupos de, me parece, tchecos. Mas muitos estavam ali porque era o Citibank Hall, era a Ticketmaster, a CIE. Alguns expressaram em voz alta seu incômodo com o espetáculo, ao saírem para o intervalo. Outros foram embora.

 

É flagrante que a CIE comandada por Fernando Altério quer abrir novas frentes, “formar público”, como se diz em outras partes. Vêm aí o Blue Man Group, que não é mais o off-off Broadway que conheci, mas a origem não se perde _espero.

 

Por melhores que sejam as intenções da gigante da produção, no fim da apresentação fiquei pensando no impacto que o Teatro Negro de Praga poderia ter, a influência que alcançaria, fosse outro o espaço e menos limitado o público.

 

Em tempo, a companhia de Jirí Srnec, hoje dirigida pelo filho de mesmo nome, foi um dos expoentes da renovação teatral tcheca dos anos 60, uma das faces mais conhecidas da Primavera de Praga _cujo nome maior, até hoje, é Havel, dado como um dos nomes do “Teatro do Absurdo”.

 

Hoje a temática de seu Teatro Negro, que não é o único em Praga, é mais tradicional, da Boêmia. Mas a adaptação da “caixa preta” chinesa e o uso de “luz negra” já foram inovadores, desde o primeiro impacto sobre o teatro ocidental, no festival de Edimburgo, naqueles mesmos anos 60.

Escrito por Nelson de Sá às 10h44

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Chega de saudade

João Máximo, jornalista, entusiasta da música popular e também do teatro musical, fez o roteiro musical de “Rádio Nacional”, em cartaz em São Paulo depois de ser premiado com o Shell na última temporada carioca. Foi por ele, pelo que já fez antes no teatro e sobretudo pela biografia monumental de Noel Rosa, escrita com Carlos Didier, que fui ao shopping Frei Caneca ver o espetáculo.

 

Os livros e a paixão de Máximo são uma janela para o Rio de quase um século atrás, em trabalho só comparável ao de Sergio Cabral, pai do governador. De Cabral, são imperdíveis as biografias de Nara Leão, que fez história ao lado de Zé Kéti e João do Vale no "Opinião”, de Almirante, de Pixinguinha _e principalmente, para mim, a biografia de Ari Barroso.

 

Ari foi um ultrapodutivo autor de teatro, esquecido hoje porque seus musicais foram esquecidos, talvez perdidos. É dele _que conquistou a Broadway muito antes de a CIE conquistar o Bexiga_ o quadro mais emocionante de “Rádio Nacional”, que fecha apoteoticamente o primeiro ato.

 

Mas é flagrante, não tem mais jeito, que o modelo dos musicais cariocas saudosistas, revistas de velhas canções de sucesso, não dá mais. Até pelas limitações geracionais de seu público, também saudosista mas cada vez menos engajado, o “pot-pourri” soa cansado, esteticamente.

 

Artistas como Solange Badim e Sílvio Ferrari, entre tantos que se entusiasmam em cena, na montagem, parecem pedir mais ambição ao espetáculo de Fábio Pilar _ele que nasceu para o gênero com o histórico, no melhor sentido, “Theatro Musical Brasileiro”, idealizado e encenado por Luiz Antônio Martinez Corrêa, irmão mais novo de Zé, também no Rio de Janeiro.

 

Não posso dizer com segurança, mas penso que Luiz Antônio foi o responsável pela sobrevivência ou redescoberta do musical carioca naqueles anos 80, iniciando o subgênero. Se estivesse aqui, estaria dando um passo à frente, mobilizando Pilar a arriscar mais, Máximo a se embrenhar pela dramaturgia, Caetano Veloso a compor e quem mais pudesse, para enfrentar “O Fantasma da Ópera” de igual para igual.

Escrito por Nelson de Sá às 10h39

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Luz, câmera, ação

Conheci o trabalho de Gerald  Thomas em 1985, no espetáculo

"Carmem com Filtro". A encenação está cravada em minha memória.

Na seqüência fotografei "Electra com Creta", no Sesc Anchieta, numa

sessão à meia-noite. Nunca mais fui a mesma.

Hoje, trabalho com ele na iluminação de "Luartrovado".

Ópera fundamentada em "Pierrot Lunaire", com a Elke Maravilha

no elenco. Lívio Tragtenberg, na direção musical (abaixo).

E o Ricardo Fernandes na produção.

Muitas montagens nesses 22 anos de convívio, com o Gerald.

Ele que, nos anos 80, aparecia na minha casa, pernoitava e me enchia

de motivação. Sempre valorizou minhas fotos e flechou meu coração

com seus elipsos e com sua fumaça, a marca registrada.

Ele que, hoje, não fuma mais. É o mesmo cara de sempre.

Divide o palco com a Fabiana Gugli e com todos os que se aproximam.

Afeto é o que não falta nesse novo trabalho, no Sesc Pinheiros.

 

Duas récitas apenas. Sábado e domingo. Dias 9 e 10 de junho.

Elke Maravilha, Arnaldo Alves de Moura (Tuba) e

Lívio Tragtemberg.

Até já. 

 

 

 

 

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h35

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Escola do riso

Por coincidência, pouco depois de estrear aqui o “Lost in Translation” de Sofia Coppola, eu viajei para Tóquio para duas semanas, convidado pelo ministério do exterior do Japão.

 

O quarto de hotel de dar vertigem, a grande janela para o parque imperial, os programas de televisão, as escapadas noturnas para Shibuya, os bares, restaurantes, os bandos de jovens coloridos: passei o tempo todo me sentindo como Scarlett Johansson e Bill Murray no filme, perdido na tradução, mas um estranho em fascínio permanente.

 

Tentei achar pontes pelo teatro, Kabuki em Tóquio e depois Bunraku em Osaka, uma São Paulo futurista à qual viajei a pedido, de trem-bala. O apelo popular do primeiro, com seu primeiro ator cheio de bordões físicos, para um público que reage sem parar _e que, no intervalo, comia pelos corredores. No segundo, a perfeição dos mitos.

 

“Escola do Riso”, que assisti ontem no Cinesesc, não tem nada a ver com isso, à primeira vista. Ambientado no decadente distrito teatral de Tóquio na Segunda Guerra, o filme, adaptado de uma peça que fez sucesso uns dez anos atrás, nos teatros mais ocidentalizados de Shibuya, opõe um jovem comediógrafo e seu censor que não sabe e não quer rir.

 

É um deleite _e não sei onde Inácio Araújo, meu crítico favorito, modelar, foi encontrar as reservas que li no cartaz, no saguão do cinema. Inácio sempre se arma contra a intromissão do teatro na tela grande, mas desta vez foi até menos resistente, na verdade. Talvez porque, mais do que o teatro ou o Japão, “Escola do Riso” retrate a criação e seu poder de corrosão de qualquer obstáculo que se interponha.

 

O jovem dramaturgo Tsubaki, dia após dia, de caso pensado, dissolve fraternalmente a crueldade do censor Sakisaka contra sua paródia de “Romeu e Julieta” _e o toma afinal para o seu lado, o do riso, não o do horror militarista que crescia em Tóquio.

 

O mais prazeroso é acompanhar como as batalhas se dão verso a verso, piada a piada, na dramaturgia mesma. O autor da peça original e do roteiro, Koki Mitani, é um aficcionado _como eu_ de Neil Simon. O enredo ecoa “Broadway Bound” _a primeira que vi, de Simon_ e seu grupo de teatro se chama Tokyo Sunshine Boys, da peça de mesmo nome, de Simon.

 

O espelho do baixo distrito teatral é outro prazer de “Escola do Riso”, menos pelo contraste com a delegacia de polícia fria e mais pelos detalhes que expõe. O primeiro ator canastrão e seus bordões, o pequeno palco e o público que se aperta, as ruas bagunçadas, com seus cartazes e bandeiras teatrais para seduzir os transeuntes que passam em figurinos de toda ordem.

 

De certa maneira, aquele colorido, em conflito constante com a austeridade, sobrevive no Japão que eu conheci, ainda que bem mais rico. O riso, o prazer escorre pelos vãos, pelas ruelas, como nas noites de sexta-feira em que os bandos de executivos engravatados, em ritual, tropeçam abraçados pelos cruzamentos de Tóquio, bêbados, às gargalhadas.

Escrito por Nelson de Sá às 00h07

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Maurício Paroni de Castro

O diretor e ator teatral Maurício Paroni de Castro,

assim como eu, passou sua adolescência na Aclimação.

Fomos nos conhecer tempos depois, já adultos. Ele acabava

de voltar da Itália. E, cheio de influências européias, dirigiu

a Maria Della Costa em "Típico Romântico", a primeira montagem

do então estreante autor Otavio Frias Filho.

Fiquei maravilhada com o espetáculo, a cenografia feita a partir

de fotos de móveis, que ficavam suspensos no palco da Sala Gil

Vicente, do Teatro Ruth Escobar.

Hoje, com o mesmo estusiasmo de antes, ele estréia

"Ninguém É Inocente", textos de Voltaire de Souza,

heterônimo que Marcelo Coelho usa em suas crônicas.

O elenco (da esq. para a dir.): Wanderlei Bernardino, Ziza Brizola,

Roberto Alencar, Fernanda Moura e Fabio Marcoff.

No espaço Satyros 1, hoje às 21h.

Os desenhos do cenário são de autoria do artista plástico e ator

Giampaolo Köhler (foto acima).

Escrito por Lenise Pinheiro às 14h16

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Francis e o outro lado da história

Convivi intensamente, exatas duas décadas atrás, com Paulo Francis, que conheci esquerdista e não o farol direitista em que o tornaram depois. Ele guardava um fascínio por sua experiência como ator, o que foi até o fim _como escreveu Janio de Freitas_ no personagem falstaffiano que criou para si mesmo.

 

E ele guardava carinho especial, crispado de ironia, por Paschoal Carlos Magno, seu mestre em viagens mambembes pelo país. Estou me deliciando neste momento com o volume de 422 páginas dos escritos de Magno editado pela Funarte, em uma das últimas realizações da passagem de Antônio Grassi pela instituição. Achei há pouco na Livraria Cultura.

 

Churchill ou Napoleão estabeleceu o clichê de que “a história é escrita pelos vencedores”, e os vencedores contam uma história que transfere de Magno, Renato Viana ou Oswald de Andrade, para outros, o estabelecimento do teatro brasileiro moderno.

 

Magno estava do lado errado quando estreou com “Pierrot” em 1930, para os aplausos de Getúlio Vargas, e quando criou em 1938 o Teatro do Estudante do Brasil de “Romeu e Julieta” _e em seguida a Casa do Estudante, onde eu mesmo fiquei, nos tempos de movimento estudantil, em passagem pelo Rio.

 

No livro, Martinho de Carvalho escreve que o TEB, no fim daqueles anos 30, “impôs a presença de um diretor, responsável pela unidade artística do espetáculo, acabou com o ponto, valorizou a contribuição do cenógrafo e do figurinista e introduziu a fala brasileira no palco onde antes imperava o sotaque lusitano”.

 

Magno, que foi cônsul de Getúlio em Londres, e seu Teatro do Estudante ergueram também o “Hamlet” de Sérgio Cardoso, em 1948. No livro, são fascinantes as descrições daquele momento. São textos sobre a presença de Renato Viana nos ensaios de 14 horas, sobre a viagem de Hermilo Borba Filho, do Teatro do Estudante de Pernambuco, para a estréia, sobre a direção de Hoffman Darnisch, ex-Hamlet, ele próprio, em Londres.

 

E principalmente sobre Sérgio Cardoso, 22. “Intenso, vibrátil”, com “naturalidade” e “beleza de gestos”, sem “uma só queda ao longo da peça” de quatro horas, ele é comparado ao Hamlet de John Gielgud, “o primeiro que vi” _e do qual Magno guardou “a permanente beleza”. Também sobram adjetivos para os jovens Maria Fernanda (Ofélia), Sérgio Britto (Horácio), Fregolente (Osric) e todos “os atores de amanhã”, selecionados por ele e Darnisch.

 

Sérgio Cardoso saiu do Teatro do Estudante logo depois, contratado para sustentar em São Paulo o Teatro Brasileiro de Comédia, do qual foi a grande estrela _ao lado de Cacilda, também contratada no Rio, assim como Ziembinski, Ruggero Jacobi etc. etc. E a história passou a ser reescrita pelos que seriam vencedores e não em suas tantas versões, como ensina Sérgio Buarque de Hollanda em “Visão do Paraíso”.

 

Em tempo, Paulo Francis foi o nome com que Paschoal Carlos Magno o batizou, quando escalou o estudante de 22 anos, sem “nem um teste de voz sequer” mas que conhecia Shakespeare e havia assistido ao Hamlet de Sérgio Cardoso, para o papel de frei Lourenço. Foi seu personagem no “Romeu e Julieta” que vagou pelo Nordeste com o TEB, em 1952, e com o qual ele falou as primeiras palavras, num palco: "Não tarda o Sol".

 

O livro organizado por Martinho de Carvalho e Norma Dumar dá esperança de que o livro dos escritos de teatro de Francis, sonhado por George Moura, também venha a ser publicado um dia. Com o outro lado da história, dele próprio e do teatro.

Escrito por Nelson de Sá às 22h56

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Sexta cheia

A Company S.A. apresenta

"Quase de Verdade", de Caetano Gotardo.

Direção: Cainan Baladez.

Com as atrizes (da esq. para a dir.) Fernanda  Chicolet,

Thais Rangel e Mariana Martinez. Elenco muito afinado.

Fui responsável pela iluminação de nosso ensaio fotográfico.

Que contou com a ajuda do figurinista Chi, sem ele esse ensaio

não seria possível. Meu muito obrigada.

O diretor também deu aquela força.

Em cartaz às quintas e sextas na Casa das Rosas. Até 22 de junho.

Av. Paulista, nº 37, às 21h.

Hoje, sexta-feira, tem também

"Aqui Aconteço" no Espaço Viga, às 21h,

"Faz de Conta que Tem Sol lá Fora" no Satyros 1, à meia-noite.

Nos vemos por aí.

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h41

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Lenise Pinheiro Blog de teatro com textos e fotografias de peças em cartaz ou por estrear. Montagens antigas, ensaios, indicações e vivências e experimentos. Eventuais visitas a salas de teatro, e suas respectivas companhias. Coberturas de Festivais de Teatro, apontamentos com novidades e curiosidades em torno do tema.

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