Cacilda
 

Os 100 anos de Dercy

O Nelson me fez lembrar.

Rio de Janeiro, dia 11 de abril de 2007.

A espivetada Dercy Gonçalves recebe a reportagem da

"Folha de S.Paulo". Em sua casa, em Copacabana.

Seu luxuoso banheiro de madame, estúdio para o ensaio fotográfico.

Autenticidade, desenvoltura e o centenário se aproximando.

Ninguém é referência. Gosta de bingo e do presidente

Lula. Pra classe teatral, uma banana, nas palavras da

atriz vedete.

Deve ser da boca pra fora.

Escrito por Lenise Pinheiro às 13h02

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A santidade de Dercy

Início da madrugada de sexta, encontrei por acaso Vera Barreto Leite e outros atores da trupe do Oficina no bar Exquisito. Linda, ela que foi a primeira top model brasileira quando ainda nem se usava a expressão, a favorita de Chanel na Paris dos anos 50 e 60, contou entusiasmada que acabava de sair do ensaio de “Bandidos”, de Schiller, me deu um maravilhoso beijo na boca e foi embora.

 

Duas semanas atrás, eu a tinha encontrado em Araraquara, fazendo a mãe de João Ignácio em “Vento Forte”, a mãe de Zé Celso menino. Depois de seis anos com “Os Sertões”, o Oficina está tirando uma peça por semana. Schiller tem ensaio aberto em alguns dias e viaja para a Alemanha. E entrou em cartaz “Santidade”, de José Vicente.

 

A direção é de Marcelo Drummond, que desta vez enfrentou o teatro inteiro, o terreiro do Oficina. Com uma peça em nada semelhante aos enredos e elencos pantagruélicos desde “Ham-let” até os cinco “Sertões”, ocupou engenhosamente a pista, fazendo dela o público e levando os três atores a tomarem os cantos e andares, para além do foco na cama do centro, no coração do teatro.

 

Para tanto, conta muito a iluminação de Irene Selka, atriz e artista alemã que abraçou o Oficina nos últimos anos e, agora, transforma-o por vezes em uma catedral, raios rompendo o metal das estruturas.

 

Depois de assistir à peça, presenciei uma cena, para mim, hilariante. Marcelo, o diretor, questionava Zé, o ator, com firmeza, porque ele havia desviado a atenção do público em uma cena-chave.

 

É aquela em que os dois irmãos, um ex-seminarista (Haroldo Costa Ferrari) amante do estilista Ivo (Zé) e um jovem diácono (Fransérgio Araújo) em visita ao apartamento, se vêem diante da oportunidade e do desejo de matar o estilista _e ficar com seu dinheiro. É o nó dramático, aquele em que o diácono, em provação no belíssimo texto escrito pelo então adolescente José Vicente, se vê tentado ao extremo, em seu preconceito e em seu apego ao dinheiro.

 

Pois Zé Celso, no auge do conflito moral, peida. Daí Marcelo estar cobrando, no final. Ambos às gargalhadas, e eu junto, mas era questionamento sério, de fundo, para a encenação. Zé, o ator, se defendia dizendo ter sido “um peido técnico”, para coincidir com uma palavra no discurso do ex-seminarista seu amante que precisava ser desmistificada, algo assim.

 

E que sua interpretação _aí está o ponto que mais importa_ é deliberadamente, desde os ensaios, uma homenagem a Dercy Gonçalves.

 

Lembrei das tantas vezes em que o ouvi criticar Dercy, por seu desrespeito em cena ao texto, à direção, ao próprio teatro. Zé, 70, me respondeu que uma atriz que chega aos 100 com a força que ela chegou tem que ser celebrada, o mais não importa.

 

PS - Mais de "Santidade" na ótima bacante, que completou um mês, bela e forte. Parabéns, Maurício e Fabrício!

Escrito por Nelson de Sá às 09h43

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Final de semana na Cultura Inglesa

O espetáculo "A Festa de Abigail" fica em cartaz até domingo,

na Cultura Inglesa de Pinheiros.

Texto e trilha sonora de Mike Leigh.

Direção de Mauro Baptista Vedia.

Elenco e registro de voz que remetem ao passado.

A atriz Ester Laccava nos provoca frouxos de riso.

Ambiente londrino.

As atrizes Fernanda Couto (esq.) e Ana Andreatta.

Marcos Cesana e Eduardo Estrela (abaixo).

Interpretações precisas.

Na montagem que satiriza uma época.

Nos vemos lá.

Escrito por Lenise Pinheiro às 18h20

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Delicadeza

Em cartaz no Satyros 2, às quintas e sextas, às 21h.

"Delicadeza", texto de João Fábio Cabral.

Espetáculo dirigido por Marcos Loureiro.

Assistente de direção: Régis "Trovão" Rodrigues.

Cenário: Rogério Harmitt.

Figurinos: Cássio Brasil e Paula Prates.

Atores Wilton Andrade (esq.) e Paulo Vinícius.

Atriz Luciana Caruso.

Atores Luciana Caruso (esq.), Wilton Andrade

e Sergio Guizé.

Atores Gabi Cywinski (dir.) e Wilton Andrade.

Atores Gabi Cywinski e Marcus Vinícius Parizatto.

Atores Gabi Cywinski e Marcus Vinícius Parizatto.

Ator Paulo Vinícius.

Atores Luciana Caruso (esq.) e Sergio Guizé.

Produção: Grupo Kuringa.

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h38

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Brechtiano

Paulo José foi brilhante, no ar. Foi provocador, nada de respostas óbvias ou de repisar o que já havia dito antes. Muita auto-ironia, como se tivesse um mecanismo automático de distanciamento brechtiano, sempre atento para questionar suas próprias verdades. Foi também emocionante, como ao lembrar da fazenda de infância à qual voltou agora. E, é claro, ao falar com crueza mas determinação dos 15 anos do Mal de Parkinson.

 

Isso, no ar. Porque foi nos intervalos que eu, pelo menos, me deliciei mais com Paulo José. Instigado pela presença de Chico de Assis, seu amigo desde a primeira peça no Arena e muito brincalhão, ele saiu pensando alto coisas como “será que poderia ter sido feito daquele jeito?”. Falava do sonho revolucionário de ambos, do desejo _que não existe mais, neles mesmos_ de “mudar o mundo”.

 

Fazia também piadas de coxia, sem as câmeras ligadas. Por exemplo, sobre o nome do programa, diante de um Paulo Markun que é o novo presidente da Fundação Padre Anchieta, “o Pereio dizia na peça que ‘a única roda viva que eu conheço é o olho do cu!’, e isso escrito pelo Chico Buarque!”. Paulo César Pereio é seu companheiro desde Porto Alegre, muito antes do Arena ou do Cinema Novo.

 

Ele foi ainda mais ironicamente cruel consigo mesmo, naqueles intervalos. “Eu sou muito velho. Comecei em 46. Minha primeira direção, eu chamo de direção, foi em 47.” Reclamou que agora começa a falar e não pára mais. E soltou então a expressão que não sai da minha cabeça, desde aquele momento, retrato da comédia e da tragédia que ele parece sempre buscar, no mesmo pensamento. “É o Mal de Parkinson de Diversões.”

Escrito por Nelson de Sá às 20h47

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Jogo de Cena

Mario Viana é um dramaturgo que sempre me chamou a atenção.

Mas conheço pouco seu trabalho. E ainda não tinha visto a montagem

“O Amor do Sim”, dirigida pelo Alexandre Reinecke.

(abaixo, o ator Alex Grulli)

E Otávio Martins (abaixo).

 

Segunda-feira, pouco antes das 19h, começa a se formar uma fila

na bilheteria.

Pessoas conhecidas, público formado aos poucos, gente interessada.

Me chamam a atenção duas jovens senhoras da sociedade paulista,

conhecidas das colunas sociais.

Roupas elegantes, sem ostentar, botas para compor o figurino de inverno.

Compram seus ingressos, tomam café e, já na platéia, ocupam lugares

bem atrás de mim. Dão muita risada, parecem se identificar com o

personagem de Flávia Garrafa (abaixo),

que nunca havia pisado em uma

sala de espetáculos. E tb com a da Ângela Barros, que encarnava

o espírito do teatro.

(fotos abaixo)

Eu máquina em riste, poucos cliques para não

atrapalhar a encenação, mas nada as abalava. Muita concentração.

O espetáculo, fascinante e bem-estruturado no humor.

O mundo do teatro, encarnado.

A firmeza dos atores, escancarados de seus preconceitos.

Levaram a  platéia ao delírio, pela simplicidade.

Durante os agradecimentos, a mão bem cuidada de uma delas

toca meu ombro e me chama a atenção.

Elas queriam saber se acabou. Custavam a acreditar que naquele

momento teriam que ir embora. Admitiam ser freqüentadoras de

outras salas, mas que ali no Satyros 1 logo de cara se identificaram

com o texto e com a espontaneidade  das atrizes.

Mesmo depois dos aplausos, queriam ficar. Eu expliquei que a mostra se

estendia por todos dias da semana, naquele horário. Prometeram voltar.

Bravo!

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h46

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Teatro fora do Teatro

A produção teatral está cada vez maior.

Lee Simpson, diretor inglês, do grupo experimental Improbable,

resume hoje na "Ilustrada" a contradição dos artistas de teatro

quando diz que "somos devotados, gastamos nossas vidas

fazendo essa arte, mas nos queixamos sobre muitos aspectos dela:

a crítica, o subsídio etc..." Concordo em termos com ele,

e encontro muita disposição nos artistas e técnicos de teatro.

Aqui em SP, a atriz Maria Alice Vergueiro e agora a

Cris "Vai Tomar no Cu" Nicolotti encontram a arte teatral

via internet. Basta um clique no YouTube, lá estão elas.

Muitas leituras recriam o ambiente e a encenação teatral na

imaginação dos interlocutores que frequentam o Itaú Cultural, o

ciclo de segundas-feiras no Masp e no Sesc Consolação,

e agora o Espaço Teatrix na Peixoto Gomide começa amanhã

uma série inédita de leituras de peças de Francisco Carlos,

um autor amazonense.  E na quarta, no Centro Cultural Banco do Brasil,

Dramaturgias, dia 23.5, "As Mãos Entrelaçadas", de Walmir José, com
 
Luciano Chirolli,  Denise Del Vecchio e Silvia Lourenço.
 
Vou tentar acompanhar.

Hoje à tarde vou com o Nelson de Sá, que participa da mesa

de entrevistadores do "Roda Viva" com o ator Paulo José,

à gravação do programa, na TV Cultura.

Pretendo postar as fotos ainda hoje...

E se fez teatro no estúdio de televisão.

Durante o intervalo da gravação, com a

Beth Néspoli, uma das jornalistas convidadas.

Com o Nelson de Sá, meu parceiro blogueiro.

Paulo José. Sério e brincalhão.

E com a produtora do "Roda Viva",

a Lúcia Mendonça.

A Fernanda D'Umbra veio do estúdio ao lado,

para ver a alegria e a bagunça no camarim.

Ela grava o teleteatro "Billy, a Garota".

Do Mário Bortolotto. Teatro em tudo que vejo. 

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h13

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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