Cacilda
 

Sonho

Uma montagem requintada.

A direção de palco é responsabilidade da Michele Matalon.

O projeto do cenário é do Beto Manieri, o mesmo de "Cinzas",

com a Renné Gumiel. Quem viu gostou muito.

A montagem de "Sonho" carrega nas tintas e na emoção.

Djin Sganzerla é Agnes, filha do deus hindu Indra. Sua visita

à Terra é movida pela curiosidade. Como vivem os homens?

Flávia Pucci e Helena Ignez. Fotogenia teatralizada.

O ator e diretor André Guerreiro Lopes me dirigiu durante o

ensaio fotográfico. Um trabalho primoroso.

Em cartaz na Unidade Provisória Sesc Avenida Paulista.

Atores valorizados pela iluminação de Carlos Ebert.

Inocência e inspiração.

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h59

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"Vento Forte" em Araraquara

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Lê não conseguiu postar e pediu para mim. As fotos são da apresentação de "Vento Forte para um Papagaio Subir", no Sesc Araquarara, no domingo.

Escrito por Nelson de Sá às 11h33

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Para um papagaio subir

Valmir Santos escreve na “Ilustrada” (assinantes) sobre o restauro da primeira peça de Zé Celso, “Vento Forte para um Papagaio Subir”.

 

Eu estava em Araraquara anteontem, sentado ao lado dele, Vals, como o chamamos há anos, acho que por causa do primeiro login de seu nome no sistema de edição do jornal. Conheço-o desde os tempos em que ele escrevia no “Diário de Mogi”, quando já víamos peças juntos, nos primeiros festivais de Curitiba, e Valmir, ainda um menino, era ator no grupo Pombas Urbanas.

 

Não sei de jornalista hoje com maior dedicação ao teatro de São Paulo e maior conhecimento. Eu pergunto o que ver e ele sugere que uma das melhores peças em cartaz é de Tankred Dorst, com Renata Zhanetta, no Ágora. Faz pós na USP sobre o teatro de primeira qualidade que se desenvolveu no entorno de Campinas, com o Lume e outros, e a sensação que tenho é que ele é onipresente, está em toda parte, em todos os teatros, sabe tudo.

 

Sobre “Vento Forte”, escreve que o poeta Zé, 70, “com os sentidos de presença e teatro vivo que marcam os quase 50 anos do Oficina”, foi “(re)acolhido em seu útero e quintal”, a Araraquara dos 600 presentes que lotaram para ver a peça de 1958.

 

Foi o espetáculo que abriu o Oficina. Na platéia, naquela estréia, estava Décio de Almeida Prado, que foi ver o que queriam aqueles estudantes da São Francisco. E saiu dizendo que o melhor da noite havia sido o nascimento do “expressivo futuro autor”. Mas Zé deixou o texto pela direção pouco depois, emparedado entre a dramaturgia popular que vinha do TBC e a nacional-popular que surgia no Arena. Volta agora, em segundo nascimento, como escreve Vals.

 

Para mim, eu que queria montar o mesmo “Vento Forte” uns dois anos atrás, foi tocante demais. Chorei da metade para o fim, diante da Lucinha de Ana Guilhermina e da Maria das Dores de Sylvia Prado, atrizes com quem fiz as leituras. Cenas como a de Lucinha e João Ignácio, este um estreante extraordinário, Lucas Weglinski, se revelaram bem mais envolventes do que eu conseguia imaginar.

 

A amizade de João e Ricardo, um Marlon Brando interiorano de Wilson Feitosa; o amor juvenil, shakespeariano, de João e Lucinha; o conflito familiar, com traços rodriguianos, de João, Das Dores e a Mãe: não tem cena que não funcione, na dramaturgia dos 20 anos de Zé Celso. Já era então o artista que todos conheceram depois e que Décio vislumbrou, de imediato, na primeira noite.

 

De outro lado, foi uma revelação acompanhar os 600 araraquarenses respondendo, inteiramente envolvidos, a cada referência à cidade que surgia no texto _e nos vídeos de Ana Rocha, que comandou imagens da época e de hoje, organicamente integradas à cena, e na iluminação dela, Lenise Pinheiro, que rompia o muro entre espectadores e personagens, a realidade e seu espelho.

 

Às centenas, no final, a platéia saiu do Sesc Araraquara para as ruas e para um grande terreno baldio, empinando os papagaios distribuídos, seguindo a metáfora sobre a tempestade, o vento que leva a cortar o fio e deixar a cidade, a família e a juventude para trás. Um movimento que está sempre na memória não só de quem cresceu no interior de São Paulo, como eu, o Vals e o Zé, mas de todo mundo.

Escrito por Nelson de Sá às 09h47

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A batalha da Sé, em três relatos

O post anterior vem dando vazão a relatos e comentários sobre a batalha da Sé. Tenho procurado deixar os mais ofensivos de fora.
Separo, a seguir, três testemunhos de quem estava lá. 
Edvaldo, de São Paulo:

 

_ Sou estudante de filosofia da Universidade de São Paulo e estive no show dos Racionais MCs. Presenciei o começo da confusão. Estava ao lado do posto comunitário da PM e posso garantir que não havia um clima de guerra, ao menos da parte do público que assistia ao show. O que havia, sim, era uma disposição prévia da Polícia Militar de partir para um enfrentamento violento em qualquer pequeno incidente, a fim de incitar o tumulto generalizado e destruir o show dos Racionais, conhecidos críticos históricos da corporação. Digo isso com total serenidade. Havia cerca de 25 jovens pulando sobre uma banca de jornais, e alguns deles alcançaram e invadiram um imóvel pela janela. No entanto, não havia qualquer tipo de "treta", ou seja, não houve brigas. O que ficou claro foi: a PM veio com os caninos pingando sangue, esperando a primeira chance para espalhar o terror e destruir o show, imputando qualquer eventual ocorrência (vandalismo, ferimentos ou mortes) ao grupo de rap.

 

Andrea, de Taboão da Serra:

 

_ Eu estava lá! Acompanho o trabalho dos Racionais há bastante tempo. Já assisti ao show deles várias vezes. Ontem, eu e meu marido que também é rapper levamos nossos filhos de 10 e 12 anos e infelizmente só nos decepcionamos. O som estava péssimo, muita gente e pouco policiamento. Jovens sem causa nenhuma, a não ser promover o vandalismo. Invadiram apartamentos, subiram na banca de jornal e em cima do letreiro da Droga Raia. Nada justifica a destruição que eles promoveram. Estou indignada! O que eles fizeram foi banditismo, bandalha... Não podemos mais assistir a um show que arrebanha tantos marginais, o que não serve para os meus filhos não serve pra mim. Para terminar com chave de ouro, encontramos nosso carro com o pára-brisa estourado por uma pedra e com o capô amassado, pois foi pisoteado. Isso não é rap.

 

Cito, de São Bernardo do Campo:

 

_ Eu trabalho como operador de áudio em uma casa na 9 de Julho, havia acabado de sair de lá e fui para o Municipal ver a Central Scrutinizel Band. No caminho, passei próximo à Sé e pude ver de perto aquela desordem estúpida. Moro na periferia, lado distante do centro, escuto rap (exceto os criminais e os blás sem sentido) e devo admitir: fãs de rap em sua maioria são usuários de crack, cocaína e o pior de todos, o álcool. Não dá pra ter rap como Racionais na Virada. Rappin'Hood, por exemplo, é uma boa pedida, mas um grupo que vê a violência explodir e a incita não deve ter todo esse respeito que vocês, classe média branca cristã, dão. Rap é compromisso, já dizia o finado Sabotage. Se querem educar e conscientizar, que eduquem para a paz, não para a guerra.

Escrito por Nelson de Sá às 10h17

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Lenise PinheiroO blog Cacilda é coordenado por Nelson de Sá, articulista da Folha, e pela repórter-fotográfica Lenise Pinheiro.

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