Cacilda
 

David Mamet na praça

Outono na praça Roosevelt, sábado à noite. A rua lotada de gente, nas calçadas, no estacionamento, nos teatros que ocupam as velhas salas do cine Bijou, nos Parlapatões e nos Satyros. As mesas cheias, gente de casaco, cerveja, um ar de Chicago.

 

Fui aos Parlapatões, assistir ao “Edmond” de David Mamet com direção de Ariela Goldman _a mesma Ariela de uma das primeiras tentativas de ocupação da praça, com as peças de Bosco Brasil, no número 184, se bem me lembro. “Atos e Omissões”, depois de “Budro” e antes de “Novas Diretrizes”, parecia anunciar uma geração “in-yer-face” na dramaturgia paulistana. Não foi assim. Bosco até sumiu dos palcos, foi gastar seu talento na televisão, como tantos.

 

Ariela continua com gosto para a melhor dramaturgia. “Edmond” é a peça que virou filme ano passado, com William H. Macy no papel agora do premiado Marco Antônio Pâmio, mas que estreou há mais de 25 anos em Chicago. É uma fábula sobre um executivo que deixa a mulher, sai pelas ruas da cidade em acessos racistas e sexistas, decaindo cena a cena até matar e, na cadeia, ser sodomizado.

 

Moral da história, tirado de “Hamlet”, que reproduzo aqui na tradução do Oficina, “há um deus que dá forma aos nossos fins, por mais mal preparados que sejam por nós”. E depois ele, Edmond, beija o colega de cela, negro, que o estuprou.

 

Anterior à consagração do autor por “Glengarry Glen Ross”, é um texto marcante pelos diálogos rápidos e contundentes, "mametianos", mas principalmente pela linguagem ofensiva, preconceituosa, do protagonista. A montagem poderia até ser mais violenta, na boca dos atores, que David Mamet estaria bem servido, ele que preza um conflito como ninguém, a qualquer preço.

 

 

Encontrei no bar e conversei com os parlapatões Hugo Possolo e Raul Barreto, mais longamente com o primeiro, amigo de faculdade de jornalismo, de esquerdismo estudantil e de tentativas de teatro. Contou com orgulho dos meses ao lado dos pedreiros e, agora, da felicidade com a fila da apresentação esgotada de "Edmond".

 

Estão ambos e os demais parlapatões mambembando pelo país, num circo com o pessoal do La Mínima. Mas Hugo quer estar logo em seu teatro e na praça, ele também, de volta com a impiedosa crítica política de "Prego na Testa", de Eric Bogosian/Aimar Labaki.

Escrito por Nelson de Sá às 14h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Santidade

No dia 10 de maio estréia "Santidade". Texto do José Vicente.

Dirigido pelo Marcelo Drummond. Ele é muito amoroso.

No Teat(r)o  Oficina

o Marcelo já dirigiu os atores Fransérgio Araújo (esq.)

e Haroldo Ferrari em "O Assalto", do mesmo autor.

E a novidade é o Zé Celso como ator no papel de Ivo.

Um estilista cheio de modismos.

A Iluminação é responsabilidade da Irene Selka

e dos "Marcelos" Drummond e Comparini.

Vi um pouco do ensaio de ontem.

O Fransérgio é o Nicolau, um aspirante a sacerdote.

E o Haroldo é Artur.

É muito trabalho.

Pelo visto a inspiração vem dos livros.

E a magia da encenação é o Zé.

Os figurinos do Alexandre Herchcovitch ainda não chegaram.

Devo fazer mais fotos na seqüência.

Até já.

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mente insana, corpo são

Hoje às cinco da tarde Grace Gianoukas, Roberto Camargo, Agnes Zuliani, Guilherme Uzeda e Marco Luque, da Terça Insana, se encontram para um ritual que há 50 anos era celebrado por Mel Brooks, Neil Simon, Woody Allen, Carl Reiner e Larry Gelbart, da lendária trupe de Sid Caesar.

 

Começa a preparação dos textos para a nova Terça Insana, “Mente Insana, Corpo São” é o mote anunciado, com estréia em pleno 1º de maio, para todo o mês. Nem eles sabem ao certo o que vão apresentar. Começa hoje o embate.

 

Não sei se repetem as brigas igualmente lendárias dos gênios do humor americano, parece que não, mas o resultado não fica atrás, pelo que vi em velhas imagens de Caesar e nas visitas à Terça Insana _a última ontem à noite, sempre no Avenida.

 

Grace como advogada do diabo viveu mais uma noite de nonsense extremista, para delírio de quem tenta seguir sua avalanche cômica e crítica. De Pedro Bial a Deus, neste mês de esquetes voltados ao showbiz, ninguém escapou ileso.

 

Mas é de Agnes Zuliani que eu quero falar. Ela fez duas cenas, de um assessor de celebridades e de uma varredora de rua que recicla a indústria cultural. No final, para os aplausos, Grace comandou uma saudação à Agnes mestra do stand-up, professora de tantos que se espalham por São Paulo em febre de público só comparável à dos musicais.

 

Foi nos anos 80, talvez até antes, que eu vi Agnes pela primeira vez no palco, com o grupo de teatro da UEE. Ela já era então engajada e engraçada. Continuava anos depois, quando moramos no mesmo prédio em Nova York, ela estudante no Lee Strasberg e garçonete no Village, para pagar as contas. E depois, início dos 90, num marcante _e já próximo da linguagem do Terça Insana_ “Tudo de Novo no Front”, de Aimar Labaki, num clube da Pamplona.

 

Andou por um bom tempo pelo drama, do embate glorioso com Maria Alice Vergueiro em “No Alvo”, de Thomas Bernhard, ao monólogo “Emma Goldman: Amor, Anarquia e Outros Casos”, ano passado nos Satyros.

 

Agora está ao lado de Grace em São Paulo e pelo país, disseminando a febre que a Terça Insana lançou e que se espalha por Rio, Curitiba, toda parte. Agnes vai como uma sacerdotisa do stand-up, à imagem e semelhança da Gilda Radner que tanto ama.

 

Um de seus ensinamentos sobre stand-up é que o comediante, antes de mais nada, critica a si mesmo. Ela quebrou ao menos uma vez a regra, na cena que preparou para o lançamento de meu livro sobre teatro, com fotos da Lenise, dez anos atrás. Acabou comigo _e eu nunca ri tanto.

Escrito por Nelson de Sá às 10h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Happy birthday, dear William"

Dia de Shakespeare. Com Zé e Marcelo Drummond, tempos atrás, eu cometi, como alguém descreveu depois, uma tradução para "Hamlet" e encontrei meu personagem no teatro, Horácio.

Para comemorar, o blog do "Guardian", o favorito por lá, fez um podcast com o editor do novo First Folio, que foi a primeira edição das peças, baseada na memória dos atores. E o site do "Times", segundo favorito, postou quiz para quem quiser testar seus conhecimentos do bardo.

ps - o "NY Times" também deu uma bela resenha do First Folio, o Shakespeare "dos atores".

Escrito por Nelson de Sá às 14h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Salve Jorge

Hoje é dia de São Jorge.

 

E de William Shakespeare, para comemorar...

Segue um trecho de Fernando Pessoa que

a atriz Claudia Campos me mandou.


"O MEU OLHAR é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo"...

Fernando Pessoa, "O Guardador de Rebanhos" (1911-1912)

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Porto Alegre, janeiro de 1962, 19 anos

Pouco mais de dois anos atrás, fiz uma longa entrevista por e-mail com o hoje governador José Serra, para um texto sobre política e arte. As respostas que deu me deixaram pasmo. Ajudam a entender por que está sempre na Roosevelt, nos Satyros, e por que ele escolheu secretários como Carlos Augusto Calil e agora João Sayad.   É um raro político que estima e, de fato, viveu o teatro, a arte.

Separei três passagens, que seguem abaixo, pela primeira vez.

Por favor, faça um relato da experiência como protagonista da montagem universitária de "Vento forte". Você ainda recorda algum trecho da peça? E o enredo? Por favor, descreva como foi o primeiro contato com a platéia: A tensão foi grande? Chegou a estudar Stanislavski ou Brecht? Como foram os ensaios?

Para mim representou uma experiência fascinante. Até hoje é bom lembrar. Sempre me volta aquela sensação agradável da época. "Vento forte pra papagaio subir" era o nome da peça, de autoria do Zé Celso. O personagem principal era um rapaz, numa pequena cidade do interior: a mãe doente e possessiva (só a voz), a namorada, a irmã que sustentava a casa e o melhor amigo. Ele louco para ir embora, vir para São Paulo, que é o que faz no final, depois de uma tempestade com ventania forte. Embora a cidade não fosse mencionada, para nós era Araraquara, terra do autor. E o personagem reunia algo da história do próprio Zé. A tensão não foi tão grande diante da platéia, embora a peça abrisse comigo sozinho no palco, como num sonho, ouvindo a canção, repentinamente interrompida por uma tempestade. Teatro não é como política. Você não encara o público, a platéia está escura e você representa um personagem que não é. É mais fácil, por incrível que pareça. Eu não conseguiria, na política, interpretar um personagem, mesmo que se tratasse de interpretar a mim mesmo.

A apresentação foi feita no festival de teatro da juventude organizado pelo Paschoal Carlos Magno, ele um grande personagem, com notável bom gosto para o teatro e uma extraordinária capacidade de organização. Foi em Porto Alegre, janeiro de 1962. Eu tinha 19 anos.

Fiz também uma apresentação na TV de  “Amor à prova dos nove”, do Millôr, e, num auditório enorme, do monólogo do “Orfeu”, do Vinícius.

Fomos de ônibus para Porto Alegre, junto com gente de São Paulo, inclusive a Regina Duarte, acompanhada pela mãe. Era uma gracinha, bem menininha, tímida, e ganhou um prêmio, com o “Auto da Compadecida”. Do festival, participavam o Plínio Marcos, o Sérgio Mamberti, a Dina Sfat. Ela foi integrando o elenco da engenharia do Mackenzie –como não tinha mulheres, arranjaram a Dina, que, salvo engano, era funcionária do centro acadêmico ou algo assim. Creio que o Sérgio também não estudava engenharia, mas estava com o grupo, que levou “Os fuzis da mãe Carrar”, do Brecht. A atriz principal, a mãe, era a Iara (que morreu naquele naufrágio do Bateau Mouche). Na montagem, eles cantavam hinos dos republicanos espanhóis, que aprendi e lembro até hoje. Na Poli também não tinha mulheres (só duas alunas) e incorporávamos mulheres de outras faculdades, mais uma das secretárias do grêmio, Ana Maria, aliás, ótima atriz.

Cheguei a estudar Stanislavski, de forma irregular, num seminário do Kusnet. E nos ensaios ele era o “método” adotado. Em diferentes ensaios, nos concentrávamos em diferentes aspectos da personalidade e das relações do meu personagem. Cada dia um. O texto não mudava, mas mudavam a personalidade e as relações, cada vez concentradas numa possibilidade. Uma neurose, mas criativa.

Por favor, faça um breve relato da experiência com os jograis, sob a direção de Fauzi Arap. Augusto Boal viu uma das apresentações: A presença causou tensão em você e nos demais atores? Como era a relação do grupo de teatro da faculdade com o CPC? Foi o teatro universitário que o aproximou do movimento estudantil? O teatro o ajudou de alguma maneira a atingir desenvoltura em oratória?

Os Jograis eram ótimos, a melhor coisa que me aconteceu na faculdade. Era gostoso, bem-humorado, textos ótimos, poesias lindas. Eu aprendi poesia assim. Aliás, para mim, sentir uma poesia implica ler em voz alta. Só assim é possível senti-la, compreendê-la. Só assim não fica trivial. Eu achava o Fauzi um gênio, meio estranho (para começar, porque ele estudava engenharia), a generosidade artística encarnada, um apóstolo, extraordinário imitador de atores e atrizes (por exemplo, na impostação da Cacilda Becker, era imbatível). Conheci o Boal nessa época (não ele a mim, certamente). (não me lembro de ele ter assistido aos jograis)

Não foi o teatro que me aproximou do movimento estudantil, mas este, a política, que me afastou do teatro, a partir de minha eleição para a presidência da UEE, no final de 1962. Mas lá organizamos o CPC, e o Fauzi fez uma montagem extraordinária de uma peça escrita por ele mesmo junto com estudantes do CPC, que era uma espécie de versão paulista do “Auto dos 99 por cento” da UNE (não sei quem tem o texto). Mas eu não era ator mais. Viajávamos para o interior, com a UEE Volante, apresentávamos a peça, dança, poesias, e depois fechávamos com um comício pelas reformas. Só aí eu discursava. Creio que a experiência dos jograis e do teatro ajudou a melhorar a impostação da voz.

Algumas perguntas mais pessoais (se achar invasivas, por favor, não se sinta obrigado a responder). Sua mulher foi bailarina: Você gosta de dança? Você a conheceu no palco, no Chile? Que coreografias viu?

Eu tenho paixão por ballet, adorava o jeito de caminhar, a postura, das bailarinas. Conheci minha mulher numa festa de aniversário de uma amiga comum e, quando vi que era bailarina, me aproximei mais. “Carmina Burana” (ela fazia a deusa Fortuna, entre outros papéis na mesma coreografia), “A Mesa Verde”, a mais maravilhosa peça artística antibélica a que já assisti, “O Pássaro de Fogo”, “Despertar da Primavera”, “Lago dos Cisnes”, “Catalise”...

Escrito por Nelson de Sá às 20h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Aberração

No século passado, num restaurante de Union Square, em Nova York, conversei longamente com Bernardo Carvalho. Era perto de seu apartamento e também do teatro Ontológico-Histérico de Richard Foreman, então sua maior referência de teatro, pelo que pude perceber.

 

Desde o primeiro livro que li, “Os Bêbados e os Sonâmbulos”, com seus jogos de identidade, seu vaivém com a mente de quem lê, vislumbro em Bernardo Carvalho uma aberração na literatura brasileira, um talento fora de lugar.

 

Para quem viveu, como eu, por um tempo, de classificar artistas, é o mais difícil de marcar. Já deixou para trás os paralelos com Foreman, Thomas Bernhard, Sade, para não falar de seus colegas de geração.

 

No restaurante não foi diferente, todas as pistas se perdiam. Como uma boneca russa, imagem que é dele mesmo, ele tem sempre outra que se revela, e outra.

 

Escrevo estimulado pelas reportagens que saem de seu último livro, que ainda não li, mas também pelo silêncio _de prêmios etc._ que envolveu seu “BR3”, um texto de teatro sem paralelo aqui ou fora, a boneca russa sob o espetáculo aclamado de Antonio Araújo.

 

Silêncio que é também dele mesmo, em meio aos relatos, que se ouvem até hoje nas coxias de teatro, de conflitos com os atores e a encenação. Voltou às mãos dos editores, cujo poder ele agora se estende em elogiar, ironicamente agradecido, Bernardo que é o mais individual dos escritores.

 

Quando ele escrevia “BR3”, encontrei-o com seu diretor no Sesc Belezinho, na apresentação de um monólogo do Rio, então bastante festejado. Sua revolta diante da mediocridade flagrante do monólogo, um besteirol metido a besta, era incontrolável _e a mediocridade se devia ao texto, não à encenação ou à interpretação, até boas.

 

Da mesma forma, com sinal trocado, a genialidade de “BR3” se deve antes de mais nada ao texto deste “o grande dramaturgo Bernardo Carvalho”, como descreveu Zé Celso, um dos poucos a perceber. Foi o que instigou o Teatro da Vertigem ao precipício da encenação, quase ao suicídio como grupo.

 

Se os três anos de conflito no teatro levaram Bernardo Carvalho a querer fugir do "real" e abraçar o copydesk das editoras, para não falar da agência de viagens, pior para o teatro.

 

ps - duas das reportagens, aqui e aqui.

Escrito por Nelson de Sá às 10h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O Púcaro Búlgaro

Estréia hoje no Teatro do Sesc Consolação

"O Púcaro Bulgaro", mais uma direção de Aderbal Freire Filho.

Os atores Isio Ghelman, Ana Barroso, Augusto Madeira

e Gillray Coutinho ensaiam na maior disposição.

Arrancando gargalhadas dos técnicos do teatro.

O cenotécnico Tadeu Tosta acompanha a montagem

 e me recebe com muito carinho.

Autenticidade é a palavra de ordem.

Os horários: sex. e sáb. às 21h e dom. às 19h.

Rir é o melhor remédio.

O teatro fica na rua Doutor Vila Nova, nº 245,

tels. (11) 3234-3000 e (11) 3256-2281.

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Triunfo

Nelson Triunfo é uma das pessoas mais teatrais que conheço.

Difunde a dança break pelo Brasil afora, desde os anos 70,

fazendo trabalho social com responsabilidade.

Nelson de Sá e eu sondamos seus desejos, para

que no futuro sua história vire peça de teatro.

Sucesso absoluto, o dançarino atuou recentemente

sob a direção do alemão Frank Castorf e foi considerado,

pelo próprio diretor, o destaque da montagem.

Hoje ele estará no Clube Glória ao lado do Dj Iraí Campos.

A noite promete e o B-boy, Nelson Triunfo, garante.

O Clube Glória fica na rua 13 de maio, nº 830, Bela Vista.

Tel. (11) 3287-3700.

A festa começa às 23h30 e o valor do ingresso

é R$ 20,00. 

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Deformado, macabro, profano

Por muito tempo, estimulado pela leitura de "Abusado", que ganhei da Lenise, tentei encontrar as peças escritas por Marcinho VP ou Juliano, o nome usado por Caco Barcellos para o protagonista de seu livro, que menciona os textos de passagem. Confirmei que existiam, mas não consegui autorização para montar, nem mesmo para ler.

Recordo o episódio porque acabo de ler as duas "peças" de Cho Seung-Hui (aqui, as traduções), o autor do massacre de Virginia Tech, nos EUA. São cenas curtas, postadas no site da AOL por um colega de Cho e já criticadas por todo lado. Para o colega, para começar, elas são "algo saído de um pesadelo", com uma "violência verdadeiramente deformada, macabra".

Para o "New York Times", são peças "profundamente violentas e profanas" ou blasfemas. Para a CNN, "peças mórbidas", cheias de "referências profanas".

Menos, menos. A primeira delas, "Richard McBeef", é uma seqüência sem parada de ofensas e acusações que um adolescente dirige ao padrasto, até ser morto por ele. A segunda, "Mr. Brownstone", vai pela mesma linha e tem como alvo um professor, jurado de vingança no final. São ambas primárias, escritas em jorro, às pressas, sem cuidado, talvez sem revisão _e não muito diversas, portanto, de certas coisas que se vêem no teatro paulistano.

Para não discordar inteiramente das críticas tão sérias que já se acham nos EUA, o que posso dizer é que as duas cenas poderiam servir de roteiro a uma performance "in-yer-face", como se dizia das peças inglesas de dez anos atrás.

Escrito por Nelson de Sá às 20h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Avançar retrocedendo

É uma imensa ironia, num momento em que se amontoam autores no teatro brasileiro, em que até os antes inconseqüentes passam a escrever bem ou muito bem, aparecer uma revista como esta última “Humanidades”, da UnB. É da virada do ano, mas dela não falaram, então falo eu.

 

É uma edição especial sobre o “teatro pós-dramático”, com apresentação de Silvia Fernandes e, curiosamente, com um texto demolidor de Nando Ramos, o professor da USP de ações tão controversas em uma comissão ou outra, mas dos mais apreciados por este espectador distante.

 

“Nas décadas finais do século 20”, resume Silvia Fernandes o conceito de Hans-Thies Lehmann, “o teatro dramático, aquele que obedece ao primado do texto e se subordina às categorias de imitação e ação”, desaparece e dá lugar ao pós-dramático de artistas como Tadeusz Kantor, Richard Foreman e sobretudo Robert Wilson.

 

A edição vai além e amontoa no pós-dramático, por aqui, não só Gerald Wilson, o que até faz algum sentido, mas também Antônio Araújo e Zé Celso, Antunes Filho e Sérgio de Carvalho. Pobres deles, que prezam tanto a palavra e a ação _ainda que este último, Sérgio, tenha feito por merecer, ele que apresentou o pós-marxista Lehmann ao teatro nacional, uns quatro anos atrás.

 

Li os demais, mas reproduzo do artigo do nietzschiano Nando Ramos, “A pedra de toque”, até porque me pareceu a melhor resposta a mais uma tentativa de estabelecer o caminho a seguir e lançar a última moda nestes tempos sem direção. Um trecho:

 

_ A aceitação do conceito de pós-dramático está ligada à crença de um desenvolvimento progressivo das formas artísticas. Sem esse pressuposto fica difícil levar a sério o conceito, até pela sua abrangência, reunindo artistas muito diferentes entre si e acomodados simplesmente pela simultaneidade de suas produções. Talvez fosse mais produtivo admitir que, a despeito do desenvolvimento histórico, a tensão entre o dramático e o espetacular não se extingue por decreto e que ainda se trata de um avançar retrocedendo.

 

E que viva o drama, aquele velho texto de teatro que os paulistanos vêm escrevendo como nunca _e o fim de semana pela cidade é prova bastante.

Escrito por Nelson de Sá às 17h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mais Cacilda

O Teatro Cacilda Becker foi inaugurado em 1988.

Pelo, então prefeito, Jânio Quadros e sua vassoura.

O teatro é contemplado com a presença do público de seu

entorno e da classe teatral. Ontem não foi diferente.

"Quase Nada" fica em cartaz até 29 de abril. Sextas e sábados

às 21:00 hs e domingos às 19:00 hs.

Uma montagem pouco convencional.

Com os atores Luiz Luccas, Samuel Sattiro e Gisele Freire.

O desafio do texto de Marcos Barbosa comove e faz pensar.

Uma história com muitas possibilidades. Atual e envolvente.

 A Atriz Rubia Reame e todo o elenco

estão afinados pela direção de Alain Brum. Jovem estudioso, que

cheio de simpatia me recebe logo na chegada.

A concentração nas coxias.

As acomodações são excelentes.

Mas o público e os atores se encontram no palco.

E com um pouco de sorte no Bar Cacilda, que fica ao lado.

Tomara que a gente se veja por lá.

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

montagens

O entusiasmo sobre algumas montagens teatrais é contagiante.

Torço para que essa peça do Dionísio seja o máximo.

Peça deslocada para fora do teatro é considerada por si só um atrativo.

O trabalho do diretor Ivan Feijó é notabilizado pela qualidade.

O Osvaldo Gabrielli também estréia no Tusp, para quem quer ficar

na caixa preta com atores tarimbados.

Por enquanto, vou me embalar pelos comentários do Nelson e

saudar a montagem de "A BOA", em 1999, no Teatro Novelas Curitibanas.

O texto do Aimar Labaki criou uma atmofesfera inesperada.

Outras montagens já devem ter sido produzidas.

Só tive olhos para essa.

Ana Kutner e Milhen Cortáz defendiam o universo carregado

de insanidade e poesia. Terror e amor. Como nos dias de hoje.

A moléstia da humanidade nos ônibus, nas filas de banco.

Na rua sem amargura.

Só talento. 

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Na rua Augusta

Acabo de chegar do ensaio de “Os Dois Lados da Rua Augusta”, de Dionísio Neto. Foi até meio da madrugada, três da manhã, terminando no lado da Augusta das prostitutas de rua e dos hotéis baratos.

 

Dionísio é o mesmo, no melhor sentido. O talento que se deixou vislumbrar pela primeira vez em “Perpétua”, na mesma esquina da Augusta com Estados Unidos de onde parte o ônibus da nova peça, é o mesmo. E com ganhos em ironia e humor.

 

É um “natural”, parece que nasceu para escrever teatro, como Plínio Marcos, que, porém, pouco ou nada tem a ver com ele. Quando Dionísio mostrou “Opus Profundum” na Jornada Sesc, um dos únicos eventos voltados para a nova dramaturgia que presenciei em décadas, seus solilóquios desabridos anunciavam um autor maior, afinal. Se bem me lembro, foi também a sensação de Antonio Araújo, então na comissão da Jornada.

 

Mas ele se perdeu não muito depois, tornado encenador, destino comum de dramaturgos por aqui _quer dizer, montar os próprios textos, por não ter alternativa.

 

O que mais impressiona, novamente agora, são os solilóquios em que os personagens se apresentam, se expõem, em especial os femininos. Já era assim antes. Desta vez, são premiadas as atrizes Jeyne Stakflett, sobretudo ela, e Luciana Brittes, que ficou com a vaga de Djin Sganzerla.

 

As duas vivem, respectivamente, China Vegas e Rosa Paulista, alguns dos personagens alegóricos de Dionísio. Alegorias à maneira do teatro colonial, da Contra Reforma, dos cortejos que integravam São Paulo, Rio, Salvador nos primeiros séculos. São representações de ruas, bares, galerias da Augusta, inclusive uma personagem que é a própria rua.

 

A curiosidade é que, na metrópole decadante e cosmopolita, as alegorias remetem também ao pop, aos seriados japoneses de televisão, por exemplo, de Power Rangers e Dragonball Z em diante.

 

Mas era um ensaio, mais até, um ensaio técnico _e sobraram problemas de som, luz, com o ônibus, até com as locações. No momento de uma cena na calçada do Conjunto Nacional, a produção descobriu que ela havia sido vetada.

 

Ainda assim, foi possível testemunhar o envolvimento ao longo da rua, até a Guimarães Rosa, como repete o texto. Estimuladas por um coro que atuou no caminho, correndo junto com os atores que se revezavam nas cenas do corredor, as calçadas reagiam em festa _amistosamente e, por vezes, nem tanto.

 

Assim passaram marcos de São Paulo, da galeria Ourofino ao horrendo Minhocão, em acúmulo de sensações semelhantes às de “BR3”, não pelo impacto, mas pelo outro ângulo que se tinha de São Paulo. Resultado também do fomento, lei paulistana de “tamanha glória”, como Dionísio celebra no programa da peça.

 

Mas avanço demais. "Os Dois Lados da Rua Augusta" só estréia amanhã e só para 35 pessoas, com reserva por e-mail. E só para quatro apresentações. Eu torço para que o autor, o diretor Ivan Feijó, o mesmo de "A Boa", de Aimar Labaki, e o elenco estejam blefando.

Escrito por Nelson de Sá às 02h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Passageiros

Encontrei o ator Julio Adrião, no aeroporto Santos Dumont,

no Rio de Janeiro, hoje pela manhã.

Ele aproveitou para me contar que está em cartaz.

Com "A Descoberta das Américas". Quem estiver no Rio de Janeiro,

é no Teatro Leblon (sala Tonia Carrero), na Visconde de Bernadotte,

26, tel (21) 2294-0347. Quinta, sexta e sábado às 21h e aos

domingos às 19h30.

Texto extraído do original de Dario Fo.

"Johan Padan A La Descoberta de La Americhe".

Ele tb se apresenta em SP, num circuito universitário.

Às segundas e terças. Maiores detalhes.

leoesdecirco@gmail.com

Ele transpira teatro.

Fotos realizadas no Teatro Paiol em Curitiba. Março de 2006.

Vou me informar se o blog está de acordo com as especificações

técnicas.

Recebi um comentário se queixando da extensão dos arquivos do blog.

A contundência da mensagem deixa claro que está muito pesado

e que demora para abrir.

Coisas de blog.

Escrito por Lenise Pinheiro às 22h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cadeiras na calçada

Jantar com Zé, com vinho da Borgonha, seu preferido, e cordeiro.

 

Ele saiu às dez da noite de uma aula-espetáculo para os jovens reunidos pela “Caros Amigos”, que completa dez anos, no Aliança Francesa, transmissão ao vivo pelo Terra. Estava cansado e preocupado. Mal encerrou a temporada de “Os Sertões”, seis anos depois, e está com três peças em andamento.

 

Como ator, iniciou anteontem os ensaios de “Santidade”, de José Vicente, direção de Marcelo Drummond. E eles já se dividem, Zé Celso e Marcelo, o primeiro quer espetáculo, o segundo quer o jogo de atores, como no delicado e belíssimo “O Assalto”, também de Vicente. É o que mais diferencia os dois diretores, que conheço bem, Zé é grandioso, Marcelo é o detalhe, a incorporação de cada palavra pelo ator.

 

A segunda peça é sua primeira encenação de “Vento Forte para Papagaio Subir”, dele mesmo, escrita aos 20 anos e que abriu o Oficina há 49. Ele viaja com Lenise e Íris para Araraquara, hoje ou amanhã, para visita técnica. A peça mostra o adolescente que escapou da província levado pelo “vento forte”, pela tempestade, deixando para trás Deus e os lobos.

 

O texto, que eu quis montar um dia, até cheguei a ensaiar no Célia Helena, é singelo, romântico, um Tennessee Williams com cadeiras na calçada, do velho interior paulista das famílias aristocratas e dos jovens sem horizonte. A confrontação, o Zé que o país conheceria depois, já está lá.

 

A terceira peça ele está traduzindo e adaptando. É “Os Bandoleiros” ou “Os Bandidos”, não sei que título está usando, de Schiller, outro romântico radical. É montagem para a Alemanha. As três, “Santidade”, “Vento Forte” e “Bandoleiros”, para este semestre. E ele ainda quer trazer seu “Esperando Godot” com Selton Mello, que fez temporada no Rio e eu não vi, para apresentações no Oficina.

 

De saída, mais de meia-noite, um diplomata parou o diretor para dizer de sua admiração. Não demorou e Zé estava negociando uma ponte para encontrar Hugo Chávez e armar a turnê de “Os Sertões” pelo “eixo do mal” de Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua. Pelo que conheço, é bem capaz de dar certo.

Escrito por Nelson de Sá às 11h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Luz de teatro

Sempre me envolvo com iluminação. Agora profissionalmente.

Os equipamentos e o rigor técnico.

Estive com Beto Bruel em Curitiba, iluminador inspiradérrimo.

Fiquei de voltar.

Bati o maior papo com o Ari Nagô. Devo encontrá-lo novamente aqui em SP.

E ontem estive com Telma Fernandes. Todos grandes nomes, antigos camaradas.

A turma é bem animada.

Aline Santini checa se está tudo OK.

A Telma Fernandes já está com tudo organizado.

Ensaio de "O Continente Negro", no Teatro da Faap.

Estréia no próximo sábado, dia 14.

Clima noir. Débora Falabela e Ângelo Antônio.

E Yara Novaes. No ambiente construído por André Cortez.

Reservem seus lugares.

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Alguém ficou de fora

Semanas atrás, Gustavo Fioratti entrevistou os dramaturgos Mário Viana, Sérgio Roveri, Samir Yasbek para o jornal "Valor" e concluiu:

_ As leis de incentivo fizeram crescer os rendimentos no cenário do teatro brasileiro. O que poucos perceberam é que alguém, no próprio meio, ficou de fora na hora de dividir o bolo fermentado pelo dinheiro público. Atores, diretores e companhias têm se beneficiado, mas os dramaturgos ainda sofrem de um desamparo financeiro que faz malograr a produção de textos para o palco.

É bem diferente na Inglaterra do Royal Court ou na França do Théâtre de la Colline. Agora que Celso Frateschi e João Sayad vão decidir o que fazer do teatro no Brasil e em São Paulo, o aviso é mais que oportuno.

Escrito por Nelson de Sá às 21h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quem tem medo de Marcos Caruso?

Os Satyros juntaram “todos os teatros”, aqueles todos de Cacilda Becker, em torno da Roosevelt para celebrar os sete anos em que vivem e fazem viver a praça _o meu primeiro endereço em São Paulo. Curioso sobre um de tantos teatros, a comédia popular de Mário Viana, fui assistir à primeira das peças do ciclo, na sexta à tarde.

 

Com Adão Filho como um homossexual de folhetim, com a manicure de Flávia Garrafa e o iluminador de Otávio Martins para o romance acaipirado, “O Amor do Sim” é peça difícil de compreender naquela praça e naquele teatro.

 

Com um passado que vai de “Ifigônia” a “Carro de Paulista”, Viana representa, ao menos para mim, a sobrevivência de uma comédia popular que vem dos filodramáticos, da São Paulo que falava mais italiano que português. Um humor grosseiro que até descendentes de italianos, meu caso, se envergonham de apreciar tanto.

 

Mas que, sim, tem muito a ver com a praça Roosevelt e o centro e a redescoberta de São Paulo. Por mais fora de lugar que soassem suas piadas, anteontem.

 

Nostálgico do gênero, ontem mesmo, véspera do fim da temporada, corri para ver a peça mais recente de outro de seus representantes, talvez o maior hoje, Marcos Caruso _ de “Trair e Coçar É só Começar”, que ele escreveu nos anos 70, que eu vi no Záccaro nos anos 80 com Denise Fraga e que até outro dia estava em cartaz na Liberdade.

 

Não é mais a mesma coisa. Caruso e Jandira Martini, entre “Porca Miséria” no Bibi Ferreira e esta “Operação Abafa” no Renaissance, não mudaram só de público e valor do ingresso, mas de protagonistas.

 

Antes eram empregadas domésticas, sapateiros, agora é o empresário sufocado por impostos _e representando pelo próprio, tornado atração dramática de novela das oito. Às vezes mais parece uma versão de “Brasil S/A”, que afinal também influenciou Caruso, pelo jeito.

 

Mas não, também não é assim. A “carpintaria” segue lá, o talento está lá, a arrancar risos e até, para os mais envolvidos, algumas lágrimas felizes. Até o “zanni” se mantém em cena, um pouco mudado, pelas mãos admiráveis de Miguel Magno.

 

Ele, Adão, Flávia Garrafa fazem alguém como eu se sentir em casa.

Escrito por Nelson de Sá às 14h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Preto Amaral

A sede Luz do Faroeste comemora a Páscoa com teatro.

A direção é de Paulo Faria.

O espetáculo "Os Crimes do Preto Amaral".

Considerado o primeiro "serial killer" brasileiro.

Durante o ensaio fotográfico eles passam o texto.

Bri Fiocca e Álvaro Franco,

Izadora Ferrite, Ênio Gonçalves

se divertem com as trapalhadas de um colega.

Fazem sério, brincando de verdade.

O diretor verifica se tudo está OK, com a iluminação para o trabalho.

A magia do ambiente.

Preciosa preparação. O poder da presença do ator.

Adão Filho com a Cia. Pessoal do Faroeste.

Hora de deixar o camarim, estendo o tapete e

vou encontrá-los no Olympo.

Endereço: alameda Cleveland, 677.

Informações: (11) 8249-9713.

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h29

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Arquivista de sombras

Dia santo. Sexta-feira da Paixão. Dia e noite de teatro.

A expectativa é grande na praça Roosevelt, muito público.

A maratona das sete peças começou.

Da primeira peça só deu para ver o autor dar entrevista

para a TV Cultura.

"O Amor do Sim", texto do Mário Viana (foto acima), direção do

Alexandre Reinecke, está em cartaz no Satyros 1, todas às segundas

às 19h0. Com a Ângela Barros, o Adão Filho, a Flávia Garrafa e

o Otávio Martins.

 A cortina abre e começa

"Na Noite da Praça", texto do Alkberto Guzik e direção do Luiz

Valcazaras.

Marília de Santis e Álvaro Franco incorporam personagens ilustres

da praça.

 E Ricardo Corrêa dá vida ao

personagem, conhecido por todos, jovem sem perspectiva

largado no mundo.

Ainda bem que o Ivam Cabral está de olho em tudo.

Vem aí a terceira apresentação.

"Impostura", escrito pela Marici Salomão.

Fernanda D'Umbra pisa firme no palco e na direção da peça.

E a atriz Patrícia Leonardelli se rende.

 

Fora do teatro a procissão do feriado e os técnicos trabalhando.

Eduardo Guedes. Vive de bermuda e de muito bom humor.

Assim como Denis Miranda.

 E a palhaça Margarita, do Rio de Janeiro,

se apresenta no Espaço dos Parlapatões.

Às 22h estava prevista a apresentação do texto do Sérgio Roveri,

"A Noite do Aquário". Fiz as fotos de um ensaio dirigido por Sérgio

Ferrara. Com a Clara Carvalho, o Germano Pereira e o Chico Carvalho.

A maratona continua e eu volto outra hora.

Todos os dias às 19h tem uma peça diferente.

Fabio Cabral dá a maior força.

Salve!

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h52

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cacilda

Hoje é a data em que se comemora o aniversário de Cacilda Becker.

Nascida em 1921, em Pirassununga, Estado de São Paulo.

Tem sua vasta biografia, "Fúria Santa", publicada pela Geração Editorial,

um trabalho primoroso do historiador Luís André do Prado.

Um livro com mais de 600 páginas. Originais de uma vida interrompida

em seu apogeu, histórias e  mensagens inspiradoras.

Abaixo, ensaios utilizando os originais de Fredi Kleemann, o fotógrafo

oficial do Teatro Brasileiro de Comédia.

O diretor José Celso Martinez Corrêa e a atriz Bete Coelho,

em 1998, início dos ensaios da célebre montagem "CACILDA!",

no Teat(r)o Oficina.

Leona Cavalli em 1994, no ensaio para ilustrar o projeto, ainda

em fase embrionária.

Para a Cacilda, toda a nossa gratidão.

E, para um amigo importante e ausente, que também comemora

seu aniversário hoje, dedico os trabalhos do dia.

Viva!

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Terra rachada

Sorocaba significa terra rasgada, esse é o significado oficial,

segundo o Amorim, anjo da guarda da conexão via net, da edição

de hoje.

Distúrbios virtuais superados, registro em plena quarta-feira uma

apresentação da Cia. da Mentira de "O que vc foi quando era Criança",

texto de Lourenço Mutarelli.

Com os atores Silvio Restiffe (esq.) e Gabriela Flôres.

Priscila Gontijo e Marcelo Meniquelli.

Se apresentam na noite de hoje. Ao lado de Daniela Smith,

Donizete Mazonas e Gilda Nomacce. (A atriz do YouTube, foto abaixo).

Marquei minha volta à cidade, nos próximos dias, para visitar uma companhia de

teatro, composta por metalúrgicos, e a escola de formação teatral,

comandada por Paulo Betti.

Quanto à Cia. da Mentira, eles se apresentarão dia 12, quinta-feira,

no Sesc Bauru.

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Iluminação

Teatro infantil e Teatro adulto.

CEU PAZ Externa Dia

Crianças, casinhas e as cores no vento.

Camisola que desperta todo dia.

Hoje tem marmelada? Tem sim senhor.

Teatro quase circo.

O elenco se multiplica para garantir a farra no reino.

Cléo de Paris, Zeza Mota, Fábio Penna, Rodrigo Gaion,

Rodrigo Frampton e Tiago Leal. 

Renato Borghi dá vida ao reino de "O Dia das Crianças", de Sérgio Roveri.

A correspondência do Reino.

O carteiro sem poeta.

 Figurinos do Fabiano Machado.

E a regência geral: Ivam Cabral.

TEATRO DOS SATYROS 1  Interna Noite

Flor que a Bia me deu. Estréia de "Atos de Violência",

com textos da Marici Salomão e Beatriz Gonçalves.

Atores: Marcelo Pacífico, Rogério Brito, Thereza Piffer

e Lucia Romano. Dirigidos por Hélio Cícero.

Sou responsável pela iluminação e por esses registros dos dois espetáculos.

E atendendo a pedidos...

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Redemoinho

Na passagem pelo festival, fora dos teatros, nos bares, restaurantes, entre taças de vinho e copos de cerveja, pouco se falou de arte. Ouvi de gente do país inteiro sobre comissões, leis, secretários de Cultura. De volta a São Paulo, a mesma coisa.

 

E foi assim que fiquei sabendo que, poucas semanas atrás, o ator Celso Frateschi, o novo presidente da Funarte, participou de encontro em que tratou do que mais se antecipa, por todo canto: um fomento nacional.

 

É parte de mobilização maior. Algumas semanas antes, ganhou contundência uma versão federal, por assim dizer, do movimento Arte contra a Barbárie, aquele que fez tanto e depois se esfacelou em São Paulo. O Redemoinho não nasceu tão engajado nem com norte tão definido, mas a passagem por Campinas deu a ele contornos mais claros _até pela influência radical de Iná Camargo Costa, pelo que me contam.

 

Daí o encontro em que o Redemoinho, que vai do grupo de Luis Melo em Curitiba ao Tá na Rua de Amir Haddad no Rio, do Galpão de Belo Horizonte ao Ói Nóis Aqui Traveis de Porto Alegre, levou a Celso Frateschi tomadas de posição fortes, tipo não reconhecer a lei Rouanet como política pública e defender uma lei de fomento nacional, ainda que um pouco diversa da paulistana.

 

É difícil saber se o Redemoinho vai mostrar a capacidade de mobilização do Arte contra a Barbárie, até porque este conseguiu reunir tudo o que trazia força naquele momento, do Folias aos Satyros, ao Oficina, ao Vertigem, ao Latão. Seu poder era sua diversidade, me parece. E muitos deles estão fora do Redemoinho.

 

Mas algo está para acontecer, afinal.

 

Em tempo, se os grupos já sabem o que levar à Funarte e ao Ministério da Cultura, os produtores cariocas também. Eles querem uma agência, na linha privatista das telecomunicações ou do cinema. “O Globo” deu.

Escrito por Nelson de Sá às 12h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Depois do festival

Já em SP, recarrego as energias e vou direto para o Sesc Santana.

Era a última apresentação de "Savina", da companhia Amok Teatro.

Trabalho com estilo e técnica. Onde a busca é encontrar o outro.

O ator Stephane Brodt e Gustavo Damasceno abrem a cena.

Com estilo capturam o público e, de imediato, todo o elenco é

magnetizado pela paixão cigana.

Que em tom de fábula faz música e teatro, arrastando os olhares da platéia,

para a cena muda, onde coxias devassadas, atores estáticos e maquiagens

executadas em tempo real mostram a miséria da condição humana.

Ensaio realizado em 1º de abril de 2007.

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h06

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ares teatrais

Lázaro Ramos exerce uma espécie de feitiço.

Um tímido cara-de-pau. Agora em maio, passa a conduzir o programa

de TV no Canal Brasil, "Espelho", previsto para as noites de segunda às 21h30.

Na tarde de ontem ele recebeu a reportagem da Folha.

No Teatro das Artes.

Por conta da estréia de "O Método Grönholm",

sua vibração é tão forte que a peça já parece um sucesso.

O elenco muito à vontade. Faz valer a impressão que haverá teatro ali.

Lázaro parece tranquilo e amoroso.

 Ele sabe das coisas.

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Se para fazer teatro basta um tablado, um ator e uma paixão...

Aí está Maikon Kempinski, ator de "Guilhotina".

Encenada no Anfiteatro da UFPR.

MERDA

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Lenise Pinheiro Blog de teatro com textos e fotografias de peças em cartaz ou por estrear. Montagens antigas, ensaios, indicações e vivências e experimentos. Eventuais visitas a salas de teatro, e suas respectivas companhias. Coberturas de Festivais de Teatro, apontamentos com novidades e curiosidades em torno do tema.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.