Cacilda
 

"Catástrofe da Borboleta", espetáculo da Companhia Teatro da Demolição, tem

mais duas apresentações no Festival, hoje às 19h e amanhã dia

1º de abril às 19h. Na sessão de ontem os atores, com muita garra,

conquistaram a platéia.

 Gheuza Sena e Vavá Paulino

A ditadura é o tema dessa narrativa onde torturador

e  torturado são interpretados pelo mesmo ator,

Fernando Arze, que, acompanhado das atrizes Natássia Vello,

Erlene Melo

e Mariana Mordente, recriam o ambiente da época de chumbo.

Curiosamente, ao deixar o teatro, percebo que uma passeata se aproxima,

desafiando o tempo e pedindo a reabertura dos arquivos.

Cacildas e Cazuzas marchando na noite de teatro.

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Zé, 70

Quatro horas nas mãos dos controladores de vôo e estava eu, afinal, no Oficina para os 70 anos de Zé Celso.

Cheguei no intervalo, depois das 23h de sexta, e a apresentação foi até quase 3h de sábado, com ritos de orgia (e uns 30 espectadores nus, alguns envolvidos ao extremo) e de amor (atores e espectadores se beijando e abraçando em fila, quase entrei, Pascoal foi). Me pareceu perfeito para um aniversário tão redondo de Zé, sempre em cena neste "Homem 2".

Estava lá quase toda a velha guarda, espalhada até o quarto andar, mais as inesperadas caras novas _e incontáveis adolescentes que, após  entrarem, não deixam mais a pista. Eduardo Suplicy e Renato Borghi, que nasceu nos mesmos dia, mês e ano de Zé. Catherine Hirsch e Verônica Tamaoki, Pascoal da Conceição e Leona Cavali, José Miguel Wisnik e Vadim Nikitin, Jorge da Cunha Lima e Carlos Rennó, Luiz Francisco Carvalho Filho e Marçal Aquino, Mario Vitor Santos e eu etc. etc.

No meio do segundo ato, lembrei de um comentário aqui no blog, dias atrás, que pedia para falar mais de Zé, enquanto ele ainda está com a gente. Da primeira vez que conversei com ele, há quase duas décadas, também pensei assim. Mas a sensação que tenho hoje, depois de achar que a minha e outras gerações poderiam substituir a dele, é que não tem jeito. Ele é para sempre.

Na pista, Zé anunciou que volta a ser criança.

Abraçado a Borghi e Suplicy, lá estava ele bradando contra o tabu _agora, aquele em torno da batalha titânica contra o SBT, que retornou com ações dramáticas como há 30 anos. Silvio Santos, mais que ninguém, poderia contar como Zé não é fácil de vencer.

ps - Zé e o Oficina são celebrados desde sábado no Overmundo.

Escrito por Nelson de Sá às 11h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gheuza Sena

Integrante do Coletivo Angu de Teatro. Pessoal do Recife e do mundo.

Aplaudida em cena aberta, duas vezes na sessão de hoje ao meio-dia.

Em "Angu de Sangue".

Grande momento do festival.

Muito obrigada

Lenise

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h11

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

70 anos

Viva o Zé Celso, hoje ele completa 70 anos.

Somos amigos e parceiros.

E em nossas veias tremulam as bandeiras do Teat(r)o.

Amor, ordem e progresso.

Um forte abraço da Lenise

PS. Achei essa foto pendurada na assessoria de imprensa do Festival.

Lembro bem dessa apresentação de ELLA, não sei quem é o autor da imagem.

Estou de blusa roxa, lá no fundo, torcendo e vibrando com a  apresentação.

Ao fotógrafo meu muito obrigada e ao Zé minha paixão.

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

De sangue

Daqui a pouco começa a segunda e última sessão de "Angu de Sangue", ao meio-dia. O festival está a um passo de terminar e, tantos dias e peças depois, foi esta a sua revelação maior, até o limite do que pude ver _e como sou feliz por não ter de tratar do que não gostei.

O teatro brasileiro é outro, hoje, anos depois de eu ter deixado de seguir seus passos. Não mais da "santíssima trindade", perdida no tempo. Nem de São Paulo e Rio, ainda que André Paes Leme e seu "A Hora e a Vez de Augusto Matraga" sejam espetaculares. Enviado sob amparo de seus estados e cidades de origem, está aqui o novo de Recife ou de Salvador, de onde for.

A encenação de Marcondes Lima para as palavras de Marcelino Freire, mais do que contos, "monólogos de forte intensidade", não teme riscos formais nem embarca em mitos de Nordeste. Entende-se logo o que levou Hermila Guedes para o cinema pela cena em que ela narra, em rap sereno e belo, o estupro e morte de uma criança, retratados no palco em teatro de bonecos, delicado e monstruoso.

É o universo do autor, ex-ator, pernambucano hoje estabelecido em São Paulo. São histórias urbanas, de Recife como metrópole, não de um Pernambuco de invenções armoriais ou tropicalistas. É doce em sua crueldade. Uma cena em especial, Darluz, com a extraordinária Gheuza Sena, confunde a respiração ao associar o inaceitável de abandonar os filhos com a lógica de fazê-lo por amor.

Nem sei se "Angu de Sangue" vai a SP e Rio, se vai ganhar estatuto de novo teatro soberano, tenho a sensação de que coisas assim se perderam no tempo. Mas existe grandeza ali.

Escrito por Nelson de Sá às 09h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cia. Senhas de Teatro

Em alguns camarins dos teatros daqui, sou reconhecida.

Teatro é igual no mundo todo. Daí a magia.

O momento dos preparativos finais. A diretora Sueli Araújo repassa

observações para Neto Machado.

 e para Patrícia Saravy.

E para a atriz Anne Celli.

Atores que acompanho já há algum tempo. Companhia referência aqui de

Curitiba. Me senti bem-vinda no camarim do pessoal da Senhas.

O espetáculo "Antígona" fica em cartaz dia 30 às 13h e dia 31 às 16h.

No Teatro Celeiro, praça Tiradentes, 106, centro de Curitiba.

Evoé.

Escrito por Lenise Pinheiro às 16h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gorilas

Os pés da nota dia 28 de março, são de um torturador. Em "Gorilas", texto e

direção de Celso Cruz, com o ator Marcos Suchara.

Hoje a sessão é às 22h no Teatro Celeiro, na praça Tiradentes, 106, centro de Curitiba.

Tem também "Eu Odeio Kombi". Sempre é bom encontrar bons atores.

Neto de Oliveira (condutor) e Armando Jr.

Roteiro de Hugo Possolo e direção de Jairo Mattos. Hoje tem sessão às 20h30.

Casa Vermelha. Largo da Ordem. Centro histórico de Curitiba.

Local para encontrar Ari Nagô. A bossa e o bom gosto na luz.

Até mais. Lenise

Escrito por Lenise Pinheiro às 09h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Palco de imagens

Uma conversa acabou revelando que, na geladeira da casa de uma atriz, no Rio de Janeiro, tem esta foto pendurada. Olho para ela todos os dias, diz a atriz em questão.

Fotografei este detalhe no Sesc Belenzinho. Era  o cenário da peça "Bispo", com

o ator João Miguel, amigo da atriz que olha todo dia a mulher de tábua com

o sapato na cabeça e muito peito, lá pendurada na geladeira.

Gostei dessa história. Lembrei que na geladeira lá de casa tem fotos que eu adoro e

uma reprodução estilizada do Grito de Edvard Munch. Lembrei que estou longe.

Assim como os atores de "Reconco",  Paula

Carneiro e Leonardo França. Trabalho elaborado em torno da dança, do teatro e do fogo.

 Um perigo. Teatro e fogo contracenam há milênios.

Mas tem que haver técnica. Como na nova iluminação do Teatro Paiol, que no passado

abrigara um depósito de pólvora. E hoje é uma das atrações de Curitiba.

Falando em iluminação, encontrei o Davi de Brito.

 Ele é muito carinhoso, um grande artista.

Grandes encontros no teatro Paiol. Imaginem esses dois em cena.

Eucir de Souza e Rubens Corrêa interpretando um texto do Bonassi.

 O Eucir é apaixonante

e misterioso como o ator da foto abaixo. Quem será?

 

Escrito por Lenise Pinheiro às 22h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

De água e sal e fúria

Entrar aos trancos no teatro, com gente ficando para trás, de fora, pedindo sessão extra. Foi assim com duas das melhores noites que tive por aqui.

A primeira foi "De Água e Sal", dança-performance em que, também por me espalhar pelo chão, eu e todos éramos parte da ação. O suor dos corpos, daí o título, a interação dos "performers" conosco. Olhares trocados, mensagens escritas, uma bola de papel para brincar. Desde a pergunta de um dos dançarinos na entrada, "o que devo fazer?", se é chamado a compartilhar. Não dançar, mas se deixar levar. A cada nova cena e texto, um diálogo sem parar sobre o corpo, muitas vezes no próprio corpo.

Só na saída, ainda meio bêbado do envolvimento, fui ouvir que havia um bocado de Pina Bausch _e concordei. Um casal reclamou logo atrás da música popular, até funk carioca, mas aí achei bobagem. A coreografia é criação coletiva da companhia baSiraH, a direção é da ex-integrante do célebre EnDança dos anos 80, na mesma Brasília, Giselle Rodrigues.

A outra foi "Nepal", de Cuiabá. Era a última apresentação e o segundo dia em que ficava gente para fora do teatro. Conseguimos entrar com dificuldade e atraso, sentamos na escadaria _e eu assisti, surpreso, a uma comédia elaborada sobre os dois últimos dias dos dois últimos sobreviventes da Terra, em luta pelo poder até o fim. Um "Fim de Jogo" mais engraçado e estranhamente complexo no texto e na representação.

Um ator carioca que viu a mesma "Nepal" anos antes, perdida num pequeno teatro, comentou depois da apresentação que se lembrava dos cacoetes à Eugenio Barba, até do esquete de rádio, mas que agora era um universo orgânico. Não sei, mas o que vi foi certamente coeso, com domínio da cena por Péricles Anarcos e Giovanni Araújo, este também diretor. Resultado talvez dos anos de estrada em festivais pelo país inteiro.

E tantos festivais que o grupo por fim viabilizou o seu próprio, ano passado no calor de Mato Grosso, e até arrancou do grupo Piolin a remontagem de "Vau da Sarapalha", uma década depois. O Fúria é desses achados que você só faz no fringe. Ou no site Overmundo.

Escrito por Nelson de Sá às 19h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

12:55

Este é o acervo do Teatro Guaíra, um complexo com 3 salas. Bem dimensionadas e divididas. O Teatro é um colosso.

Começo o ensaio e vejo as horas, meio intuindo. Faltam cinco para uma? Será? Uma intuição e um arrepio. Era.

Era dia 26 de março e por coincidência o horário era esse. 12:55.

Os Deuses do Teatro, penso eu e me entusiasmo ao encontrar Orizaide Ribeiro, há quinze anos

responsável pela organização. Tudo está  em ordem...

Ela é Orizaide.

Olha o que vi por lá...

Não toquei nos objetos. Arte e Crítica. Trópicos, bananas e tridentes.

24 horas depois... no mesmo Guaíra, dia 27 de março, DIA DO TEATRO, às 12:55.

Na sala mini-Guaíra, os atores Giovanni Araújo e Péricles Anarcos agradecem...

os aplausos de Jacqueline Silveira,

atriz que estava no público, que adorou

a apresentação da peça NEPAL com o grupo Fúria.

Logo a sala ficou vazia...

Volto outra hora.

Lenise

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Pernambucanas

Uma delícia o astral do camarim no Teatro Guairinha, durante a tarde.

Hermila Guedes recebeu a reportagem da Folha e aproveitou pra dar umas risadas

com Lúcia Machado.

Lucia lança por aqui "O Diálogo como Método", livro com cinco reflexões

sobre Hermilo Borba Filho, editado pela Fundação de Cultura Cidade do Recife.

Hermila Guedes segue em Curitiba com Angu de Sangue, de Marcelino Freire,

no Teatro José Maria Santos. Dias 29 de março às 22 hs e 30 de março às 12 hs.

O horário do meio-dia é o mais procurado por aqui, na mostra paralela.

Tem que chegar cedo para conseguir lugar.

Escrito por Lenise Pinheiro às 17h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Na cola de Edimburgo

Encontro casualmente com Victor Aronis, diretor do festival, e conversamos longamente. Ele está impressionado, como eu também, com o público que comparece às peças mais desconhecidas, na "franja" da programação. Velho freqüentador de Edimburgo, está feliz de ver como, a exemplo de Avignon e outros festivais pelo mundo, Curitiba vai seguindo a trajetória do festival escocês.

Cita com orgulho o Risorama, a mostra de "stand-up" que formou seguidores à parte, de vários anos para cá _e que nesta edição vai de redatores dos humorísticos de televisão à primeira-dama do "stand-up" brasileiro, Grace Giannoukas, do Terça Insana. Celebridade maior do meio desde sua encarnação de Ruth Escobar no Espaço OFF nos anos 80, Giannoukas é a atração do "line-up" do Risorama esta semana. Vem abençoar a mostra.

Ele discorda de mim quanto à ausência de globais, mas concorda que vários "medalhões" da encenação ficaram de fora, este ano. Argumenta que o teatro brasileiro mudou, se renovou, e que outros "medalhões", mais jovens, estão na programação.

Eu abordo a decadência do pensamento privatista, "neoliberal", que tanto marcou e chocou desde as primeiras edições do festival. Ele argumenta que já diminuiu, mas admite que persiste, em parte. Eu respondo que nem o "Financial Times" vê mais a intervenção estatal como o diabo _e ficamos por aí.

Conversamos de muitas outras coisas. Do investimento direto em teatro, da lei de fomento ao PAC. E da possível lei federal de fomento, sendo que a paulistana já influenciou tanto o festival, como ele mesmo afirmou, tempos atrás. Também de web, de sites de cultura como o Overmundo. Também de como selecionar o que ver a cada dia. A exemplo de todos, Victor pergunta aqui e ali, checa o guia e arrisca. Às vezes acerta.

Escrito por Nelson de Sá às 09h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Estação Paraíso

Lembrei deste ensaio de "Estação Paraíso" do ator Darcio de Oliveira, muito à vontade no papel.

Está aí em SP, no teatro Ágora. E quem sabe, logo mais, em outros festivais. 

Foto de 20 de março de 2007. Teatro Ágora, SP, direção de Roberto Lage.

Escrito por Lenise Pinheiro às 15h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

sonho

Ontem perdi a apresentação de "Sonho de Outono", espetáculo na casa do próprio diretor, o Marcos Damasceno. Com a amada atriz Rosana Stavis. Fiquei feliz por encontrar a casa cheia. Combinei de voltar na quarta. O Valmir vai fazer matéria para a Folha.

Segue abaixo umas das grandes inspirações deste blog e do meu trabalho. A Bete Coelho Cacilda.  

Mosaico construído por: Elaine Cesar, Luiz Fernedo e Lenise Pinheiro, em 05 de dezembro de 2000.

Dedico os trabalhos do dia de hoje ao pequeno Theo que nasceu antes de ontem.

Viva a Elaine que deu à Luz. Isso sim é iluminar.

Escrito por Lenise Pinheiro às 10h46

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Primeiras impressões

Quatro dias de festival, muitas peças e conversas e já consigo deixar algumas primeiras impressões.

Para começar, pelo que pude ver na mostra Novos Repertórios, no teatro da universidade federal, e pelo que a Lenise e outros amigos contaram da mostra Novelas Curitibanas, o fringe enfim se desenvolve nos caminhos de Edimburgo, onde as grandes mostras organizadas por alguns teatros ajudam a errar menos na seleção do que ver _e a distinguir mais o inovador e o diferente, como em "menos emergências".

E se percebe que a diversificação, desde sempre o que Curitiba teve de melhor, se estabelece também como a prioridade da mostra oficial, além do fringe. Em vez de globais cariocas, grupos como o Nós do Morro ou o teatro musical brasileiro de Cláudio Botelho. Em vez de celebridades da encenação paulistana, aquelas de sempre, agora se acham pequenas e concentradas jóias como a "Zona de Guerra" de André Garolli, que vi ontem e que reinventou Eugene O`Neill, ao menos para mim.

De sete anos para cá, cumprindo a profecia de Antônio Araújo para as repercussões da lei do fomento, que reiniciou o investimento estatal direto em teatro e influenciou programais estaduais como o PAC, de partidos de todas as linhas, a mudança na cena brasileira é imensa. É urgente um estudo em detalhes de tanta novidade, de impacto tão abrangente. O Valmir Santos viu tudo, ele que eu conheci nos primeiros passos de Curitiba, e quem sabe conta, qualquer hora.

ps - destes quatro dias também restou a impressão de que dei um passo maior que as pernas, ao menos na roda-viva do festival.

Escrito por Nelson de Sá às 10h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tatuado pela emoção

Muito verdadeiro o trabalho em "De Água e Sal", teatro-dança de Brasília. O bailarino Alisson Araújo

conquista a platéia e convida o público a rabiscar seu corpo com mensagens, desejos e toques.

O espetáculo pode ser visto na Casa Hoffmann, no largo da Ordem, aqui em Curitiba.

Escrito por Lenise Pinheiro às 12h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

De três peças e três comentários

Ressaca de vinho do Café do Teatro, a cabeça só agora começa a se recuperar. Foi depois de três montagens do fringe, ontem. Um Feydeau de Santa Catarina, "Pela Janela", muito curto e iniciante, mas com dois atores "de garra", como se diz. Um espetáculo de rua paranaense, "A Farsa de Mary Help", que juntou 200 pessoas no largo da Ordem, público que no final nem queria ir embora. E a carioca "A Sobrancelha É o Bigode do Olho", que se define como "uma conferência do Barão de Itararé", ou melhor, do jornalista Apparício Torely. Um precursor de Tutty Vasques, o barão comunista e suas crônicas de décadas atrás renderam um "stand-up" que arranca risos descontrolados e se revela lamentavelmente atual _sobre política, comportamento, religião_ nas mãos do diretor Nelson Xavier e do ator Márcio Vito, abaixo, em foto da Lenise.
 
 
 
Aproveito para deixar uma seleção dos comentários, que agora se normalizam mas encheram as caixas nos primeiros posts. Altamar mandou de Salvador uma indicação engraçada para a semana que vem:
 
_ Da Bahia para o festival vai "O Contêiner", direção de Vinício de Oliveira. Eu gosto. Foi prazeroso ver este espetáculo aqui na Bahia. O diretor é bem novinho e tem muita garra e temos muito respeito por ele (afinal, é um dos poucos formados em direção que efetivamente produz - ele se formou há pouco tempo). Todos os atores da peça são ligados à Escola de Teatro da UFBA, alguns formados e outros formandos. É uma peça com uma temática política (sobre a migração de africanos para a Europa) e a produção do texto envolveu pesquisas diretamente na África (em Angola, eu acho). Eu assisti quase na estréia. É uma excelente oportunidade para ver um pouco da atividade de criação realizada aqui na Bahia. O espetáculo está ligado ao teatro Vila Velha, aqui em Salvador (um teatro dirigido por Márcio Meirelles, que é o atual secretário da Cultura da Bahia). E volto a repetir: o Vinício me desperta muito respeito!!! (e ele é lindinho)

De São Paulo, sobre São Paulo mas também, um pouco, sobre peças do festival, Marco Carrozzo postou:
 
_ Você me pergunta do que gostei em teatro. Aqui no Brasil, ultimamente, de chofre, de bate-pronto, do alto do meu gosto pessoal, lembro de "Paixões da Alma", "Turistas e Refugiados", "Dois Perdidos numa Noite Suja" dirigida por Laila Garin e Joana Levi, "O Nome", "Nostalgia", "Temporada de Gripe", "Rumo a Cardiff", "Zona de Guerra", "Roxo". Gostei de "Aldeotas" e não gostei de "Cleide, Eló e as Pêras". Gostei de "Leitor por Horas" e não gostei de "A Falta que nos Move". Às vezes gosto de Mário Bortolotto, como em "Santos e Desertores", "Hotel Lancaster" e "Felizes para Sempre", outras, que são a maioria, detesto pelo primarismo e pelo maniqueísmo da narrativa. Gostei do experimentalismo de Elisa Ohtake em "Apathia" e "Falso Espetáculo". Gosto da dança-teatro-performance de Marta Soares e Vera Sala. Gostaria de ver menos Nelson Rodrigues e mais Abílio Pereira de Almeida, menos Shakespeare e mais Marlowe. Gostaria de ver aqui autores escoceses como John Byrne e Des Dillon. Gostaria de ver aqui a "Trilogia do Dragão" de Robert Lepage. Gostaria de saber por que peças como "Carro de Paulista" e "De 4", que são um bom entretenimento e estão há anos em cartaz em diferentes teatros, não são comentadas. Enfim, de momento isso é o que vem, do meu gosto pessoal.

E também de São Paulo, sobre São Paulo, Flávio Carneiro postou:
 
_ Você me perguntou de que outros artistas ou grupos eu gostaria de falar. Bom, podíamos começar falando da revolução que está acontecendo em São Paulo atualmente, em se tratando de teatro musical. A coisa começou calminha, calminha e de um ano pra cá estourou. Estamos atualmente com quatro superproduções em cartaz. É interessante que hoje a moçada nova que começa teatro já está se preocupando em também saber cantar bem, dançar etc. Vários paradigmas mudaram desde que esses grandes musicais começaram a vir para cá e é algo de que ainda não se falou, não se discutiu. É algo que merece discussão, até pelo fato de muita gente torcer o nariz para o gênero e achar americano demais etc. etc. Vamos falar sobre este assunto? Que tal esse blog fazer um tour, assistindo "Sweet Charity", "My Fair Lady"?

Escrito por Nelson de Sá às 13h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Duas ótimas idéias reunidas num só momento

A recriação das Novelas Curitibanas, estabelecimento que, em priscas eras, abrigara um prostíbulo, hoje reformado, e se vê às voltas com público de teatro, que da mesma maneira paga para ter prazer. O prazer no teatro.
A casa será utilizada para projetos experimentais durante esta 16º edição do Festival de Curitiba. Quando soube da reinauguração corri para lá. O espetáculo que me chamou a atenção é o "Sacrifício de Andrei", direção e roteiro de Celina Sodré. Por aqui não mais dá tempo de se deliciar com a montagem, que tinje os figurinos com cinema, pois  tem a iluminação calcada na projeção do filme "O Sacrifício", último do cineasta russo Andrei Tarkovski. As fotos exprimem o rigor técnico da encenação. Fiquem atentos quem sabe volta ao cartaz.
Dizem que o espírito de comunhão é o aspecto mais importante da criação artística. Máquina em riste, concordo plenamente.
 
Aqui em Curitiba, uma peça depois da outra com um ótimo jantar no meio. E o sangue de Baco jorrando em forma de vinho tinto. Por enquanto fico devendo os nomes dos atores nas fotos e respostas aos comentários. Como diz o Nelson, ainda não sei manusear a ferramenta. Vou aprender.
 
 
    

Escrito por Lenise Pinheiro às 11h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Coisas e fotos da Denise

 
 
Afivelando as malas rumo a Curitiba. Encontro a Denise Assunção em forma de livro e de site.
Desde o primeiro momento me entendi perfeitamente com ela.
E nós duas parecemos mesmo seres complementares.
Ouço seus trinados memoráveis nas fotos que faço dela.
 
 
"Ela", autobiografia de Denise Assunção, é arquitetado pela própria.
Que dá um passe editorial na gente.
 
- As fotos da Denise foram feitas no Sesc Belenzinho em 20/09/2003.

  

- Alguém por aqui falou em Rumo a Cardiff?

Sou louca pelo Garolli, suas idéias, seus elencos e seus navios.

Estou na escotilha. Zona de Guerra está na mostra do festival de Curitiba. Vamos?

Escrito por Lenise Pinheiro às 00h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Menos emergências

Vôo atrasado, coluna para fechar, a tarde inteira sem comer. O primeiro dia em Curitiba foi corrido até a noite, quando consegui ir ao largo da Ordem e perguntar, aos que encontrei, o que ver. Ninguém sabia. O roteiro do festival lembra o de Edimburgo, centenas de peças, de salas, mapa para se achar, mas começar por onde? Humberto, que afinal escreveu o roteiro, sugeriu duas ou três, uma delas de uma mostra de "novos repertórios" no teatro da universidade federal. Sem saber o que fazer, fui ao Guairão e ao Guairinha. Na calçada, uma "performance" publicitária com atores da Vivo, a empresa. Não dá mais para mim.

Cruzei a praça até o centenário prédio da universidade, comprei o ingresso para "menos emergências", da tal mostra, e entrei. Só quando abri o programa é que fui descobrir que era um texto de Martin Crimp. Foi ele quem fez "Attempts on Her Life", grande influência estética para Sarah Kane escrever 4.48. Parecia brincadeira da sorte. E a montagem não podia ser mais assombrosa para mim. Entro, com um público inesperado para o "fringe", mais de 30, e três dos atores desenham e apagam imagens ao fundo da cena, em grandes cartazes brancos, até comporem o contorno de um corpo, a partir do corpo de um deles.
 
É preciso explicar. Antonio Araújo, quando passou uma temporada no Royal Court, fez oficinas com Sarah Kane e, um dia, me contou de um exercício que ela passou. Ele desenhava o contorno do corpo de outro artista, e este o dele. Outros faziam o mesmo. E cada artista escrevia em sua própria imagem o que gostava, o que não gostava, enfim, usava palavras sobre seu próprio corpo, dentro dele, para ele. Era um exercício de dramaturgia física. E lá estava eu, poucas horas atrás, de novo diante do mesmo exercício que usei em 4.48 e que não sai da minha cabeça desde que Tó descreveu.
 
"menos emergências" lembra um bocado a dramaturgia das últimas peças dela. São como versos que se encadeiam, como ação e reação. Diálogos do autor ou do personagem consigo mesmo, mudando de idéia sobre uma palavra, corrigindo-se depois, discutindo. É um monólogo, ou melhor, são três monólogos em seqüência e linkados. E realizados por cinco atores (Andréa Obrecht, Gabriel Gorosito, Renata Hardy, Sidy Correa, Palito Kucarz) que se moldam mais e mais às palavras e seus sentidos quase mágicos.
 
Não é peça para todo mundo. Mas como foi ganhando sentido e graça! Perto do final, me descontrolei por um instante e ri à solta, em uma pausa. Apenas segui os atores, eles sim, felizes e rindo à toa com as palavras de Martin Crimp sobre morte, pais e filhos, violência. E até sérvios, como Sarah. Em tempo, o diretor, de quem nunca ouvi falar, mas sabe bem o que está fazendo, é Márcio Mattana.
 
(Nelson)
 
 
Estou em falta com os créditos dos atores. Vou procurar...
O trabalho é de primeira.
E como ficar indiferente a essa carinha, vejam.
 
 
Por aqui, sigo com limitações na ferramenta.
Vou aprender a virar a foto.
Imagens de "menos emergências", Teuni, Curitiba.
 
(Lenise)

Escrito por Nelson de Sá às 23h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

120 dias de Sodoma

A peça é "120 dias". Fiz no Satyros 2 com a Cia. dos Satyros em abril de 2006.

Escrito por Lenise Pinheiro às 19h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para recomeçar

Estou aqui a suar por voltar a escrever a palavra teatro depois de sete anos. Sei que o teatro não saiu de mim, daí estar aqui pedindo passagem, insistentemente. Fiz uma peça no meio do caminho, da Sarah Kane, com a Lê, a Elaine, a Luciana, Luiz, Érico, o Ricardo e o Lúcio. Mas escrever... nem sei mais por onde começar. Sei que queria muito ter expressado a minha reação a uma peça do ano passado.
Sempre que saía das velhas montagens dos dois sátiros, desde "Sades", depois "Maldoror", passava semanas com um incômodo beirando a raiva. Da peça, da angústia ao assistir, do que fizeram com o texto. Sade, Lautréamont são autores de luz, afinal, eu saí das asas de Zé Celso. E no fim foi ele quem abriu a trilha para eu entender por que os Satyros me afetavam tanto, toda santa vez. Naqueles mesmos dias em que vi os "120 Dias de Sodoma" de Rodolfo García Vázquez, no ano passado, também participei como ator de uma leitura da "Engrenagem" adaptada por Boal/Zé e readaptada por Zé. Nela é Lula quem cai na engrenagem, em "120 Dias" é Lula um dos libertinos. Naquela, Lula mata Celso Daniel. Entre os libertinos, ele estupra e mata, entre outras tantas monstruosidades. Depois de ambas, sobretudo de "120 Dias" que antecipei ao exagero, foi como se me libertasse de algum peso ou como se ganhasse alguma coisa. Limpei a cabeça, por algum tempo pelo menos, de todo juízo moral. Ganhei distanciamento e clareza. O teatro, realidade ou não pouco importa, me mostrou outra vez muito mais que a política, que foi meu cotidiano nestes anos de distância.
Sei bem o significado, o impacto de "BR3", para não falar de "Inocência", do fim da "Luta" de "Sertões", mas, Deus do céu, peça nenhuma foi o espelho distorcido de sua época como "120 Dias". Como é que ela não entrou na história? Por que calaram o que arriscou tanto?
 
ps - sei, o festival de Curitiba começa hoje oficialmente, mas Rodolfo e outros tantos paranaenses da última década e meia de teatro são na minha cabeça o próprio festival, no que ele mostrou de melhor e nada oficial. O que vem daqui para a frente eu não sei, viajo amanhã.

Escrito por Nelson de Sá às 09h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Merda!

Escrito por Lenise Pinheiro às 23h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Lenise Pinheiro Blog de teatro com textos e fotografias de peças em cartaz ou por estrear. Montagens antigas, ensaios, indicações e vivências e experimentos. Eventuais visitas a salas de teatro, e suas respectivas companhias. Coberturas de Festivais de Teatro, apontamentos com novidades e curiosidades em torno do tema.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.