Abracadabra
Algumas poucas coisas que sei de Luiz Päetow.
Aprendeu a fazer pão, durante estada na França, e foi seu sustento, por algum tempo. É de tal forma voltado à cena que faz qualquer coisa para integrar a carne e a alma, em comunhão. Foi o diretor mais promissor que entrevistei, então assistente, quando de meus tempos de repórter de teatro.
Entusiasmado, brilhante, mas respeitoso, talvez demais.
"Abracadabra", às segundas no Sesc Anchieta, é ainda melhor que sua encenação anterior, de "Music Hall". São suas a "criação", o "texto" e a "atuação", além da "direção". Não é possível distinguir bem as quatro, neste "one man show". É tudo decorrente de Luiz Päetow, sem distinção, em experiência semelhante a ver Spalding Gray em cena, ainda com texto em criação, como fiz há muito tempo.
Como aquele, também ele não tem texto fechado. Pelo que conta Ricardo Muniz Fernandes, que participou em "colaboração", as palavras mudam, como tudo mais no espetáculo, inteiramente "em processo".
Se bem compreendi, sua escrita repetitiva, nesta estreia como autor, remete a Gertrude Stein, que traduziu e levou ao palco, mais de uma vez, mas também a Sarah Kane. Esta, que conhecemos juntos, dizia não se importar com a apreensão de sentido pelo público, mas com seu envolvimento rítmico, musical, pelas palavras.
Se se permitir, imagens e sentidos transparecem, afloram aqui e ali, muitas vezes depois da apresentação.
E o mais importante é que a peça afirma a presença, "live". Não é outro o tema, como indica o título. Na direção, como na dramaturgia em mutação permanente, uma ideia simples, transferir a iluminação para o público, cada espectador no comando da luz, movimentando-se por palco e plateia, tem resultados que eu jamais poderia esperar.
As pessoas brincam, como estivessem com um lápis de cera ou giz, projetam e distorcem imagens por todo lado, como crianças.
Foi dos momentos mais inusitadamente lúdicos que já passei num teatro: alguém, no escuro da sala, cercava minha luz, projetada na lateral da plateia, chamava para correr, depois se escondia.
Sob impacto da direção, senti alguma falta da atuação, do ator. Gosto de relacionar Luiz Päetow ao Edward Norton de "Fight Club", ao som de "Where is My Mind?", violento, integralmente concentrado. Não tem muito dele, em "Abracadabra".
Para registro, por fim, é curioso pensar que Luiz e seu grande mestre, Antunes Filho, estreiam como autores no mesmo momento, no mesmo lugar. Um confronto e tanto.
Escrito por Nelson de Sá às 13h27
Jardim Inverso

Texto Denio Maués, Drika Nery e Luis Eduardo
Direção Paulo Faria
Atores Germano Mello, Lorenna Mesquita e Marcos Gomes














Sede Luz do Faroeste - SP
Sábados 19h
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h08
Metrônomo Cardio Teatral





Meus agradecimentos a Valério Peguini














Zé Celso
Escrito por Lenise Pinheiro às 18h17
Taniko
Texto Zenchiku
Direção José Celso Martinez Corrêa
Figurinos Sonia Ushiyama
Música criação coletiva
Atores Cantores Músicos
Anna Guilhermina
Ariclenes Barroso
Acauã Sol
Célia Nascimento
Camila Mota
Guilherme Calzavara
Inara Gomide
Letícia Coura
Lucas Weglinski
Luiza Lemmertz
Rodrigo Gava
Rodrigo Jubelini
Roderick Humeres
Márcio Telles
Marcos Leite
Marcelo Drummond
Mariano Mattos Martins
Rafael Ghiraldelo
Zé Celso






































Teatro Oficina - SP
Sábado 6/2 e domingo 7/2 às 20h
Escrito por Lenise Pinheiro às 17h58
Festa de Família

Texto David Eldridge

Direção Bruce Gomlevsky


Atores Bruce Gomlevsky (foto), Julia Carrera, Risa Landau, Walney Costa,
Carlos Veiga, Carolina Chalita, Gustavo Mello, Joelson Gusson,
Julia Limp Lima, Leonardo Corajo, Otto Jr., Peter Boos, Ricardo Damasceno
e Teresa Fournier

SESC Avenida Paulista - SP
Sextas, Sábados e Domingos 21h30
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h28
As Meninas
No palco revisita-se a natureza humana.
Num entra e sai de testemunhas. O público.
O espetáculo é para ele. A preparacão do elenco tb é.
Nesse domingo no Teatro Eva Herz fui convidada a participar da
concentração dos atores. A atriz Tuna Duek protagonizou um show à parte.













Graças alcançadas no sacro profano ato de representar.
O compromisso e o hábito de Tuna Duek transmitido à colega Patrícia Gaspar.
Freiras aos pares. Pares de peitos. E eu ali. Câmera em riste.
Ritual de iniciação para Clara Carvalho que tb integrará o elenco.
Na luz verde. Siga! Semáforo de 3 sinais. Vai começar. MERDA!

A profissão permite que nossas incursões missionárias se revelem em
cápsulas. Novos trabalhos. Sob a direcão da Yara de Novaes.
Caminhos que me levam à elegância de Clarisse Abujamra.
Aplaudida em cena aberta.
Impecável, alinhada e decotada.
Abusadíssima. Abu?
Alguém chamou o síndico? O elenco.
Agora em nova formação.
Muito obrigada, meninas!
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h34
Palavras na Brisa Noturna

Espetáculo livremente inspirado na obra
As Boas Mulheres na China, de Xiran Xue

Texto e Direcão Fabio Porchat

Atrizes Cristina Rudolph, Fernanda Maia, Patrícia Vazquez, Pollyana Rocha
e Regina Gutman


Cenário Cláudio Torres
Figurinos Samuel Abrantes


Sesc Paulista - SP
Sextas, sábados e domingos às 20h
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h04
Uma Empresa e seus Segredos
Zé Celso comentou tempos atrás e confirmou agora que preferia Maria Della Costa a Cacilda Becker. Pelo jeito, tudo mudou quando Cacilda rompeu com a ordem e liderou a classe na resposta a um editorial que pedia censura nos palcos de São Paulo, em 1968.
Fechou-se então o círculo histórico que identificou o teatro brasileiro moderno com São Paulo. "Uma Empresa e seus Segredos: Companhia Maria Della Costa" (Perspectiva), livro que me fascinou nestas férias no Rio, põe abaixo o mito da primazia paulistana e conservadora na modernização do teatro nacional.
A partir de sua estrela singular, Maria Della Costa, linda e engajada, que lançou Bertolt Brecht no país, estabelece toda uma cronologia histórica alternativa, popular e brasileira, paulista inclusive, mas também carioca, gaúcha, imigrante.
A modernidade se firmaria, não em 1948, com o Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, em São Paulo, mas dez anos antes com o Teatro do Estudante do Brasil, TEB, no Rio, e com a direção de Itália Fausta para "Romeu e Julieta".
Gentile Maria Marchioro Polloni, Alessandro Marcello Polloni, Fausta Polloni, Ruggero Jacobi, Paschoal Carlos Magno. Os protagonistas desta nova velha história, com exceções, carregam a origem italiana _e são, em vários casos, esquerdistas notórios.
Tânia Brandão escreve, a certa altura, que "o namoro de Sandro Polônio e Maria Della Costa com o Partido Comunista, que já estivera em pauta com Itália Fausta e provavelmente foi estimulado por Miroel Silveira, será uma nota persistente em suas carreiras".
A autora não chega a afirmar ou sequer insinuar, mas a sensação deixada pelo livro, ao menos sobre mim, é de que houve um expurgo na história do modernismo brasileiro, não de ordem documental ou estética, mas política. E um expurgo que retrocede aos anos 20.
É indicação bastante a resistência permanente à aceitação não só do Teatro do Estudante, mas de experiências anteriores e que tiveram certa linearidade histórica, do Teatro de Brinquedo de Álvaro Moreyra ao Teatro da Experiência de Flávio de Carvalho e à dramaturgia de Oswald de Andrade, entre outros tantos.
As linhas se entrecruzam. Itália Fausta, tia que criou o produtor e ator Sandro Polônio e sogra de Maria Della Costa, esteve no Teatro do Estudante do Brasil e depois no Teatro Popular de Arte, primeiro nome da Companhia Maria Della Costa.
Paschoal Carlos Magno foi ator no Teatro de Brinquedo e antes, nos primeiros passos modernistas de Renato Vianna. Este, antes de dirigir a primeira peça modernista, em 1922, parceiro de Villa-Lobos e Ronald de Carvalho, escrevia para Itália Fausta.
E muitos daqueles que viriam a simbolizar a modernidade paulista nos anos 50 foram tirados do TEB e do Rio, de Ziembinski a Ruggero Jacobi na direção, de Sergio Cardoso à própria Cacilda Becker na interpretação _como mostra a "Cacilda 2", do Oficina.
"Uma Empresa e seus Segredos", na verdade, não se arrisca a voltar além de 1938, com o "Romeu e Julieta" dirigido por Itália Fausta para o TEB de Paschoal Carlos Magno. Mas abre o caminho para uma revisão menos distorcida do teatro do século 20 no Brasil.
Em seus questionamentos a Décio de Almeida Prado, protagonista no estabelecimento da modernização conservadora e paulista do teatro, Tânia Brandão não chega a ser pioneira. Como ela mesma relata, dois críticos se ergueram desde logo.
Miroel Silveira, na "Folha da Manhã", e Ruggero Jacobi, na "Folha da Noite" e na "Última Hora", defenderam como puderam o Teatro Popular de Arte e sua sucessora Companhia Maria Della Costa do cerco de "O Estado de S. Paulo" e do TBC.
Miroel, de quem fui próximo, deixou um livro que de certa maneira precede cronologicamente este "Uma Empresa e seus Segredos", intitulado "A Contribuição Italiana ao Teatro Brasileiro". Como agora com Maria Della Costa, aquele se desenvolve em torno de Itália Fausta.
E Ruggero escreveu, já de volta à Itália, "Teatro in Brasile", jamais traduzido. Ele batalhou pelo teatro nacional e popular, sem trégua, e foi quem primeiro defendeu o valor de "O Rei da Vela", de Oswald, levando à montagem célebre, como confirma Zé Celso.
Escrito por Nelson de Sá às 17h34
Cats
Audições e ensaios. A estréia é em março



Paula Lima atua pela primeira vez num musical



Teatro Abril - SP
Escrito por Lenise Pinheiro às 12h07
O Inferno sou eu

Texto Juliana Rosenthal K.
Direção José Rubens Siqueira
Elenco Marisa Orth e Paula Weinfeld
Cenários Isay Weinfeld
Figurinos Cassio Brasil

Iluminação Guilherme Bonfanti
Teatro Jaraguá - SP
Sextas 21h30 Sábados 21h Domingos 19h
Escrito por Lenise Pinheiro às 10h38
Play
Texto Rodrigo Nogueira



Direção Ivan Sugahara

Atores Daniela Galli, Maria Maya, Rodrigo Nogueira
e Sérgio Marone


Teatro Nair Bello - SP
Terças e Quartas 21h
Escrito por Lenise Pinheiro às 11h14
ABRA CADA BRASIL ABRACADABRA

Texto, Direção e Atuação Luiz Paetow
Colaboração Ricardo Muniz Fernandes
Teatro Sesc Anchieta - SP
Segundas 21h
Escrito por Lenise Pinheiro às 17h32
O Percevejo
No último dia 23 de dezembro, como faz todo ano, Zé Celso lembrou seu irmão Luís Antonio Martinez Corrêa, assassinado em 1987 no Rio. Foi uma celebração e tanto, até com batizado da filha de dois atores da companhia que hoje moram na Alemanha.
E foi com uma daquelas peças do Oficina que funcionam sem explicação, inesperadamente, que se podem ver e rever sem parar, "O Banquete".
É a encenação do diálogo sobre Eros que, como "Pra Dar um Fim no Juízo de Deus", por exemplo, parece sumarizar ou organizar as ideias do diretor sobre um tema, no caso, o amor em muitas formas, do sexo à amizade. Tem algumas das cenas mais inusitadas já encenadas pelo teatro, mas nada choca e o ritmo é de uma festa, de fato.
Erguida para um "queer festival" na Europa, foi perfeita para uma breve mensagem de Zé no final, contra a homofobia que gerou o crime, antes de Letícia Coura cantar e tocar, em coro com o público, a célebre música que encerrava "O Percevejo", peça de Maiakóvski dirigida por Luís Antonio em 1981, "O Amor". Parte da letra:
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Porque sou poeta
E ansiava o futuro
A peça acaba de ser publicada, na tradução de Luís Antonio a partir de traduções em outras línguas, mais o "cotejo com o original russo" de Boris Schnaiderman. Já antes da estreia, no Rio, Schnaiderman havia revisado a tradução e, em posfácio agora, relata que fez "umas poucas correções, o texto me pareceu bem traduzido, com alguns achados excelentes na transposição para o português".
Antes de chegar ao palco, o texto ainda foi retrabalhado pelo diretor e por sua equipe, com Guel Arraes e outros. O problema, agora, é que a editora 34 reproduz aquela tradução inicial, evitando "O Amor" e tudo mais do roteiro encenado _e assim oculta o conflito que cercou "O Percevejo" no Brasil, há três décadas.
A encenação deixou boa memória quanto ao cenário, pelo que se conta, nem tanto quanto ao elenco. Mas a questão era e pelo jeito continua sendo o final criado pela direção.
Maiakóvski questionava em 1929, passados pouco mais de dez anos, os retrocessos e o futuro da revolução russa, com seu socialismo mediocrizante e repressor. Seria ele o protagonista "domesticado", Prissípkin. Meses depois, isolado e deprimido, ele se mataria.
A edição da tradução sem o poema ou trecho de poema musicado por Caetano traz incômodo. Incomôdo tornado ainda maior pelo destaque dado ao ataque de Schnaiderman à opção de encerrar a peça com ele, o que é tratado como uma traição ao dramaturgo e à crítica que havia lançado ao stalinismo.
É como se Luís Antonio acordasse agora, no futuro, para se ver torturado como o percevejo de Maiakóvski. Ainda bem que Zé Celso e Letícia Coura não permitem que isso se estabeleça.

Em tempo, em "N. da E." e na orelha a editora 34 esboça uma defesa de Luís Antonio, com base no linguista russo Roman Jakobson, que sublinhou a relação entre os versos usados na canção e a peça, muito antes da encenação brasileira.
Em suma, "para Maiakóvski, o tempo futuro que ressuscita os homens e é o motor central de 'O Percevejo' não é apenas um procedimento poético, mas talvez o mito mais secreto do poeta".
Escrito por Nelson de Sá às 01h27
Estranho Casal

Direção Celso Nunes

Atores Bel Garcia, Carmo Dalla Vecchia, Edson Fieschi e Susana Ribeiro







Cenário José Dias

Iluminação Paulo César Medeiros
Teatro Folha - SP

Sextas 21h30 Sábados 20h e 22h Domingos 20h
Escrito por Lenise Pinheiro às 18h54


